GAMP É UMA AMEAÇA! DIZ VICE- PREFEITO

Na reunião em que se pretendia receber explicações sobre as 37 irregularidades encontradas na prestação de contas da Organização Social Gamp, responsável pelos postos de Estratégia de Saúde da Família, Dr. Carlos Chinchila, vice prefeito de Santa Isabel fez a constatação....

Cidades Saúde Em 10/02/2017 21:04:51

Reportagem: Érica Alcântara

 

“Em saúde não existe essa sucessão de equívocos que a Gamp fala, em saúde equívoco significa doença e morte”, disse Dr. Carlos Chinchilla.

Uma reunião pautada pela tensão, mas principalmente pela indignação dos agentes públicos diante do trabalho realizado pela Gamp – Grupo de Apoio a Medicina Preventiva no atendimento à população de Santa Isabel. Na terça-feira, 07/02, o vice-prefeito Dr. Carlos Chinchilla destacou para os representantes da organização que é impossível manter contrato com uma instituição incapaz de cumprir com o serviço pelo qual foi contratado.

O objetivo da reunião entre a Comissão de Saúde e a Gamp, organização social contratada para fazer a gestão dos postos de saúde, era receber da organização as explicações sobre os mais de 35 apontamentos de erros em sua prestação de contas. 

A O.S. apresentou uma documentação, que gerou ainda mais revolta na comissão. “Vocês admitem que cobraram por serviços que nunca prestaram. A impressão que dá é que a empresa apresenta o relatório contando que ele não será avaliado, assim se a cobrança passar, a empresa lucra e isso é agir de má fé. Exemplo disso é a cobrança de hemodiálise que vocês mandaram”, reclamaram.

A secretaria de Saúde destacou que ainda é impossível estimar o tamanho do dano causado pela Gamp no município de Santa Isabel. Pontuaram alguns dos maiores problemas:

- Todas as unidades estão sem internet porque a Gamp não pagou seus fornecedores. Também por falta de pagamento, há o risco de cortarem a água e a luz de todos os postos de saúde. 

- Sem internet, o sistema não é atualizado. Todo medicamento que sai, não tem baixa no registro. Assim perde-se o controle do estoque. 

- Como não há atualização de dados, o Ministério da Saúde entende que a cidade continua com medicamentos, recursos e vacinas. E pode suspender o repasse de verba, remédios e vacinas, inclusive de febre amarela. 

- Como a Gamp não abastece os carros destinados ao transporte dos malotes de exames, o material coletado nos postos é levado, provisoriamente, por carros cedidos pela secretaria de Saúde.

- Ano que vem a secretaria de Saúde vai trabalhar com o histórico deste ano. Assim como em 2017 trabalham com a base dos dados do ano passado. Ou seja, em 2018 o Ministério da Saúde pode enxergar Santa Isabel como um município que não precisa de vacinas e assim sucessivamente, em relação ao quadro de médicos e enfermagem.

- Também por falta de veículo, as visitas domiciliares não estão acontecendo. E o medo dos agentes de saúde é que os acamados que residem longe dos postos em breve ficarão sem os remédios de uso controlado.

- A Gamp não está cumprindo com o que foi contratada para fazer e o pior é que a prefeitura não pode cobrir todas as falhas. Pois ela não pode arcar com despesas que, por contrato, já destinou para a organização fazer. 

- Parte dos recursos que a saúde deveria receber estão sendo comprometidos por falta de sistema e atualização de dados. O Ministério repassa recurso pela produtividade dos postos, como a Gamp não apresenta os dados já houve redução de verba.

- Aparentemente o processo de penalização da Gamp deveria ter sido apresentado no ano passado, tão logo a organização deixou de cumprir com o contrato, a demora na apresentação do processo compromete a situação atual. 

- A advogada da Prefeitura de Santa Isabel, Dra. Tatiana Saito, disse que a empresa foi contratada para prestar um serviço e não está cumprindo e se a Prefeita Fábia Porto não fizer nada diante desta situação, ela mesma pode responder por improbidade administrativa.

Segundo Dra. Tatiana, a prefeitura pode processar a Gamp por falta de idoneidade e a organização, se julgada e condenada, pode ficar impedida de participar de qualquer licitação em órgão público.

O vice-Prefeito comandou este encontro, defendeu os interesses da comunidade exemplificando que cada erro cometido pela Gamp implica a vida de seres humanos, de pessoas que pagam impostos para ter mais do que a ausência até de respeito. Dr. Carlos reiterou que diante deste quadro caótico, não vê condições para manter a Gamp no município. 

Os representantes da Gamp foram liderados por Eduardo Gonçalves, funcionário que trouxe o documento, mas se apresentou incapaz de resolver todos os problemas apresentados. Ele prometeu entregar até as 17h de terça-feira, os documentos que a secretaria de Saúde exigiu para repassar ao Tribunal de Contas -TC. Mas até o fechamento desta edição não entregou.  A secretaria de Saúde enviou ao TC os documentos que cabem a prefeitura apresentar e solicitou prazo para a Gamp.