Saúde: Falta até papel higiênico

Gamp está há dois meses com parte do pagamento retido pela Prefeitura. A entidade não paga fornecedores, enquanto isso, nos postos de saúde falta materiais e insumos

Saúde Cidades Em 27/01/2017 20:05:56

Reportagem: Bruno Martins

 

As unidades de Estratégia e Saúde da Família (ESF) de Santa Isabel estão às traças, elas padecem de falta de canetas, pó de café, papel higiênico, até as visitas domiciliares dos médicos, enfermeiros e dentistas foram suspensas neste mês, devido à falta de combustível nos veículos. Quem retrata a situação, são os próprios funcionários. Reunião da próxima segunda-feira, entre a comissão de Saúde e a Entidade, promete ser decisiva para a permanência da entidade na gestão dos postos de saúde. “Se ela não pedir para sair, a Secretaria pedirá a quebra do contrato”, garante o secretário de Saúde, José Heleno. 

Os problemas foram apresentados ontem na primeira reunião ordinária de 2017, do Conselho Municipal de Saúde de Santa Isabel. A comissão que fiscaliza exclusivamente o contrato da Gamp - Grupo de Apoio a Medicina Preventiva com a prefeitura apresentará na próxima segunda-feira, às 9h, na sede da secretaria de Saúde os 37 apontamentos de irregularidades encontradas em visitas técnicas as unidades de ESF. 

“Desde novembro do ano passado, a Secretaria tem retido parte do pagamento da Gamp, ao todo mais de R$320 mil estão guardados nos cofres da Secretaria e só serão liberados quando a entidade fizer corretamente as prestações de contas”, diz José Heleno.

O Secretário explicou que devido as inúmeras irregularidades na prestação de contas da entidade, a Secretaria está liberando apenas os R$255 mil referentes as folhas de pagamento dos colaboradores: “Os funcionários não podem sofrer pelos erros da Gamp, eles são nossa prioridade”, disse. 

Com a retenção do dinheiro, a Gamp não está pagando os fornecedores, nas unidades de saúde a internet foi cortada, em algumas os equipamentos como geladeiras e freezer estão quebrados. A representante da empresa Gasotec, que presta manutenção de equipamentos hospitalares nas ESF’s aproveitou a reunião de ontem para expor a secretaria de Saúde que desde dezembro não recebeu os serviços prestados a Gamp: “É difícil porque não só eu dependo do dinheiro, mas meus funcionários também dependem, se eu não recebo, não consigo pagar”, disse. 

A diretora de Vigilância e Saúde, Estela Santana, e o fiscal da Saúde Gian Paolo já garantiram que a comissão se colocou a favor da quebra imediata do contrato: “Apresentaremos apenas na segunda-feira, 30, mas já adiantamos que a recomendação da comissão é essa”, disseram. Heleno disse que ao pegar o relatório da Comissão, dará andamento no processo para a quebra legal do contrato: “Se a entidade aceitar pedir para sair como ela fez com a UPA, pode ser mais rápido o rompimento, caso contrário à Secretaria terá que passar pelos meios judiciais para garantir a quebra legal do contrato, o que demora um pouco mais”, explicou.

Até o fechamento desta edição a Gamp não retornou os contatos feitos pela reportagem.