A queda de Dilma

Por Luís Carlos Corrêa Leite

Colunas & Opiniões Em 02/09/2016 18:05:25

Por Luís Carlos Corrêa Leite

 

Como era esperado, o Senado Federal aprovou o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff, evitando, porém, a perda da função pública pelo prazo de oito anos, ao contrário do que ocorreu com o também afastado presidente Fernando Collor. A medida, como anunciado, abrirá agora uma luta judicial, e parece que a novela ainda terá muitos capítulos. Mas o Supremo Tribunal Federal certamente respeitará a decisão dos senadores. 

Os motivos para o afastamento da presidente Dilma foram tão técnicos que, para os leigos, como a própria Dilma, parece não existirem. Mas realmente houve agressão à legislação orçamentária, pilar da boa administração pública, e ao princípio elementar do direito bancário de que o dono do banco não pode emprestar dinheiro deste. E Dilma fez do Banco do Brasil caixa auxiliar do governo. Isso é crime, sim. Ainda que se alegue que foi para uma boa causa, como financiar produção agrícola ou o programa Bolsa Família. 

Mas é preciso considerar também que a presidente caiu porque ninguém mais suportava a sua presença e incompetência à frente da nação, além, é claro, dos escândalos de corrupção. Nem o hipócrita Partido dos Trabalhadores, e muito menos o ex-presidente Lula, que teve a infeliz ideia de alça-la ao cargo. Dilma não percebeu, ou fez que não percebeu, que ela estava na presidência para esquentar a cadeira para Lula. O candidato em 2.014 deveria ser ele. Mas, apoiada pelas côrtes de parasitas que sempre acompanham os governantes fracos, deu, ela sim, um golpe no seu mentor e resolveu pensar, o que é um perigo para pessoas despreparadas. Quando viu que o mal era inevitável, Lula tentou ao menos influenciar na formação do governo, e indicou para o cargo de ministro da Fazenda ninguém menos do que Henrique Meirelles, hoje ministro, de competência reconhecida internacionalmente e que, como presidente do Banco Central, foi o pilar da sua boa administração. Dilma não aceitou um ministro forte porque, segundo consta, também gosta de dar palpites na política econômica.

Assim, é o presidente Michel Temer quem está seguindo os bons conselhos de Lula, que quer as coisas arrumadas para 2.018, sem se queimar politicamente com as reformas trabalhista e previdenciária. 

Política é mesmo coisa complicada...