Santa Isabel debaixo d’água

Enchente gera caos na região central de Santa Isabel. Prejuízos públicos e privados ainda são incalculáveis

Cidades Saúde Em 09/03/2016 11:42:25

Reportagem Érica Alcântara

 

O céu escureceu como que anunciando tempestade em fração de minutos. Na última segunda-feira, 07/03, Santa Isabel foi coberta pela noite sob nuvens cor de chumbo, e as ruas, do asfalto duro, seco e impermeável, se transformaram em corredeiras e rios. Nem mesmo a Unidade de Pronto Atendimento escapou ilesa. Como reflexo das dores da cidade, na UPA os pacientes testemunharam a chegada da lama, inundando todas as salas, inclusive aquelas que, por princípio, deveriam ser imaculadas de toda e qualquer sujeira. 

Vídeos, fotos e testemunhos viralizaram nas redes sociais, documentam o momento em que o paço municipal virou uma ilha no meio da água barrenta, cercado por automóveis que naufragaram na tempestade.

Baratas, ratos e ratazanas saíram de suas casas e circularam onde ainda havia terra firme, sacos de lixo boiaram pela correnteza que se formou na Avenida República e até hoje é difícil calcular todos os danos. Para alguns isabelenses o pior dos danos é moral, quando as pessoas se adaptam com tamanha mazela e riem do descaso, como se ele fosse apenas um problema de ordem pública. “Se há responsável, somos todos”, constatou um idoso que perdeu todos os produtos de seu comércio.

Também na internet surgiram campanhas arrecadando doações para famílias que se declaram desamparadas e que supostamente perderam a maioria de seus bens materiais. 

De acordo com a Sabesp, os dois primeiros meses de 2016 registraram índice pluviométrico de 174mm durante todo o período, somente na segunda-feira, em 45 minutos choveu 70mm.

O abastecimento de água, devido ao barro ficou comprometido. Mas a Sabesp garante que está tomando todas as medidas cabíveis para regularizar o fornecimento de água.

 

Água da enchente carrega bactérias e vírus perigosos

Na UPA, apesar dos transtornos não foram registrados incidentes provocados especificamente pela enchente. A prefeitura informou que fará uma parceria com a Sabesp para realizar a manutenção da rede pluvial que, atualmente, recebe o esgoto coletado nas residências de todos os moradores da zona urbana.

A Secretaria de Saúde informa que, em caso de enchente, a população evite o contato com as águas barrentas, pois elas ocultam materiais cortantes, animais perigosos e ainda pode ser transmissora de doenças infectocontagiosas.

Um dos principais problemas é a leptospirose, doença transmitida pela urina do rato e que pode entrar pela pele humana. Se a pessoa tiver contato com a água ou a lama das enchentes precisa ficar atento a sintomas como febre, dor muscular, náuseas e dor-de-cabeça. Se tiver estes sintomas, após enfrentar a enchente, procure imediatamente uma unidade de saúde mais próxima de sua residência, consulte um médico e relate que teve contato com água destes alagamentos.