Sem Ambulância: Família vive drama após-cirurgia

Após cirurgia vascular, Neusa Dalva foi transportada por micro-ônibus da Prefeitura de Santa Isabel que quebrou várias vezes na Rodovia, aumentando os riscos do pós-operatório

Saúde Em 16/03/2018 21:38:43

por Bruno Martins

Na segunda-feira, 12/03, após uma espera de mais de seis meses na fila da Central de Regulação de Ofertas de Serviço da Saúde (Cross), a isabelense Neusa Dalva Rodrigues Rezende, 58 anos, conseguiu uma vaga para realizar uma cirurgia nas pernas em decorrência de um sério problema com varizes. A operação ocorreu em São Paulo e para ir até a unidade que fica em Nova Heliópolis, zona sul da Capital, Neusa utilizou o serviço de ambulância de Santa Isabel. A ida foi tranquila, mas o drama da família começou na volta para a casa.

De acordo com a filha, Druany Rezende Ferreira, 21, a cirurgia da mãe ocorreu por volta das 10h e teve cerca de 4h de duração. A recomendação médica era que Neusa voltasse para casa numa ambulância em posição deitada. Já no Ambulatório Médico Especializado (AME) Barradas, onde foi realizado a cirurgia, a unidade entrou em contato com Santa Isabel para solicitar o transporte da paciente: “Minha mãe teve alta por volta das 16h, pois nos avisaram que a ambulância nos esperava, ao chegarmos na porta do hospital nos deparamos com um micro-ônibus. Ela no desespero decidiu subir, eu a ajudei e ela veio sentada na frente com as pernas suspensas em cima do painel do veículo”, relata a filha. 

No percurso até Santa Isabel o motorista parou em outros lugares para pegar mais pacientes. Já era 18h, quando na Marginal Tietê o veículo começou a falhar: “Paramos quatro vezes porque o motor esquentou demais e tivemos que esperar esfriar para dar prosseguimento na viagem. Parados em plena Marginal, ainda passamos por uma situação constrangedora e perigosa. Um usuário de drogas, armado com um pedaço de bloco nas mãos, ameaçou tacá-lo sobre o veículo que estávamos. Os guardas de trânsito de São Paulo que impediram a agressão tiveram que fazer a segurança do micro-ônibus até que o carro pegasse”, diz.  

Já na Rodovia Presidente Dutra, o veículo parou mais uma vez em um posto de gasolina. Eram 21h, quando o outro filho de Neusa, conseguiu um carro emprestado e foi buscar a mãe e a irmã.

Druany relatou o drama vivido pela mãe nas redes sociais, que recebeu inúmeros manifestos de apoio. Em sua publicação o vice-prefeito de Santa Isabel e médico especialista em Saúde Pública, Dr. Carlos Chinchilla comentou a necessidade da paciente ter sido transferida em ambulância adequada: “Uma cirurgia de varizes em idosa, tem um pós-operatório extremamente delicado pelo risco de fenômenos tromboembólicos, por isso deveria ela ter sido sim transportada deitada, conforme orientação do próprio cirurgião vascular”, disse Dr. Chinchilla. 

O secretário de Saúde de Santa Isabel, Cleber Vinicius, lamentou a situação vivida pela família e disse que só tomou conhecimento do caso, após publicações nas redes sociais: “O hospital autorizou que a paciente viesse no micro-ônibus, não tenho conhecimento de que a unidade realmente tenha solicitado uma ambulância, nosso próprio setor do transporte sanitário perguntou ao hospital se poderia ser carro normal a unidade disse que sim. O município tem ambulância adequada para esse tipo de transporte. Infelizmente o ônibus realmente quebrou e então fizemos uma força tarefa com os outros carros da saúde para buscar os pacientes”, disse Cleber. Dos 14 veículos de transporte sanitário da Saúde, sete estão quebrados. O Secretário conta que buscará recursos para aquisição de novos carros para a Secretaria.  

Carros da Câmara 

A Prefeita Fábia Porto, publicou nesta semana, 37 dias após receber os veículos, o decreto que permite a Saúde utilizar os carros doados pela Câmara Municipal. “Estes veículos ficarão restritamente a serviço da Saúde para o transporte de pacientes em tratamento de câncer e hemodiálise”, salientou Cleber.     

Na próxima segunda-feira, 19, Neusa volta a São Paulo para uma consulta médica pós-cirurgia. Cleber garantiu que a Secretaria dará à paciente todo o suporte necessário e que já há uma ambulância a disposição para o transporte dela. 

 

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