INTERVENÇÃO NA SEGURANÇA

por Luis Carlos Corrêa Leite

Crônicas Em 02/03/2018 21:37:37

De um governante que foi ridicularizado no Rio de Janeiro durante o desfile carnavalesco, há menos de um mês, Michel Temer consegue agora a aprovação de mais de oitenta por cento dos cariocas em razão da intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. E, tendo visto que o filão é rico politicamente, já começa a estender a intervenção do governo federal, ainda que informalmente, aos demais estados. E até os candidatos à presidência, inclusive os de oposição, andam tocando a mesma música. 

O fato mais importante nesse novo quadro é o retorno dos militares, especialmente do Exército Brasileiro, à cena política. O interventor nomeado não foi ninguém menos do que o próprio Chefe do Comando Militar do Leste, General de Exército Walter Souza Braga Netto. Desde o fim dos governos militares, que ocorreu no começo da década de oitenta, verificava-se um distanciamento da sociedade civil das instituições militares, causado pelas denúncias de agressões aos direitos humanos.

Agora, diante da situação da segurança pública no Rio de Janeiro - com a falência do poder político civil no estado, representada pela prisão de três ex-governadores, do presidente da Assembleia Legislativa, de todos os membros do Tribunal de Contas, entre outras autoridades -, a única solução vislumbrada foi a intervenção federal, que na verdade é a intervenção militar. 

Mas, que ninguém duvide: estamos somente no começo de um movimento cíclico da política, que passa agora a pender de forma visível para a direita. Os índices de aprovação do candidato Jair Bolsonaro que o digam. 

Os partidos que comandaram a redemocratização não podem reclamar. Tiveram a oportunidade de levar o Brasil a um regime de liberdade, de justiça social, de verdadeira democracia e cuidaram apenas de se manter no poder. Tanto o Partido dos Trabalhadores, como PSDB, MDB e outros se dedicaram a espoliar os recursos públicos para o financiamento de campanhas políticas e enriquecimento pessoal.

E, apesar das prisões da Lava Jato, não tomam jeito. A matéria de capa da revista Veja desta semana não é outra senão novo escândalo no Ministério do Trabalho. Extorsão a um empresário gaúcho no valor de quatro milhões. Com direito a gravação e fotos dos cheques.