Barreto pode ficar sem UPA

“Na minha opinião a prefeitura tem que investir no arroz com feijão”, disse Messias Covre

Saúde Em 15/09/2017 16:13:14

Durante a reunião do Conselho Municipal de Saúde realizada na quinta-feira, 14/09, o secretário de Saúde de Arujá, Dr. Messias Covre, declarou que é contra a instalação da UPA – Unidade de Pronto Atendimento no Bairro Pq. Rodrigo Barreto. Segundo Covre, o custo de uma UPA tipo 01, que mantém dois médicos generalistas em atendimento 24h, é de um milhão e duzentos mil reais por mês e deste valor a união repassa ao município R$170 mil. “O PA – Pronto Atendimento do Barreto atende as necessidades do bairro, precisamos apenas resolver as falhas que hoje mitigam o atendimento, como a falta de ginecologista em que uma mulher para marcar uma consulta tem que aguardar agenda para janeiro”, explicou.

O debate em torno da UPA do Barreto surgiu a partir do questionamento de um dos conselheiros sobre os índices de mortalidade infantil. O idoso Joaquim José Macedo apresentou os dados divulgados recentemente pelo Seade – Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados em que o índice de mortalidade infantil de Arujá mais que dobrou de 2015 (6,8) para 2016 (15,3). “Quero saber o que a prefeitura está fazendo para resolver este problema? Nós temos uma UPA fechada”, ressaltou Joaquim.

Notoriamente incomodado com o questionamento, o Secretário acabou por questionar a veracidade dos dados divulgados pelo Seade. “Me causa estranheza este número 6,8, pois a média de mortalidade de Arujá fica entre 10 e 12. Não sei por que estão questionando isso agora, nós já debatemos isso anteriormente”, insistiu Messias, acrescentando: “A UPA não terá resolutividade tão boa, eu defendo a devolução do recurso repassado pelo Ministério da Saúde e a criação de um ambulatório de especialidades”.

Quando o clima ficou evidentemente inóspito entre Messias e Joaquim, e o discurso passou de um debate sobre a saúde para uma troca de desentendimentos pessoais, o Secretário chegou a afirmar que “a UPA é coisa do PT”, partido que no passado elegeu Joaquim à câmara de vereadores.

Contudo, a construção da UPA começou em maio de 2014, durante a gestão de Abel Larini (PR) que na ocasião destacou a importância deste investimento, com capacidade para atender 300 pessoas por dia. Nesta obra, já foram investidos mais de dois milhões de reais do Ministério da Saúde e mais de R$700 mil da prefeitura.

Para Messias, a Saúde do município precisa investir na atenção básica, no que ele intitula arroz com feijão. “As crianças que morreram no ano passado, estavam em hospitais que tinham UTI neonatal e ainda assim vieram a óbito. Estudos comprovam que nem mesmo uma UTI neonatal é um investimento adequado para Arujá. Não sou a favor da UPA do Barreto, para mim investir na UPA é investir mal”, disse Dr. Messias.

O que diz Abel Larini

Notoriamente surpreso com as declarações do secretário de Saúde, Abel Larini defende a UPA do Barreto. “Respeito a opinião dele, afinal ele é o secretário, mas o Bairro Barreto possui grandes dimensões, é maior que outros municípios como: Igaratá, Nazaré Paulista ou até mesmo Guararema, a localidade já possui um PA que funciona 12 horas com recursos próprios, a UPA dobra o horário de atendimento e ainda receberá recursos da União”, explicou.

Para Abel, o Barreto é hoje uma espécie de cidade concentrada, “tanto o é que antes de se escolher o local onde seria instalada a UPA o Ministério da Saúde elaborou um estudo e indicou onde ela teria maior eficiência”, recordou, acrescentando: “como Prefeito na época eu não podia perder esta verba do Governo Federal para construir a UPA do Barreto, com mais 12h de atendimento haverá um pouco mais de custo, mas ainda vale todo o investimento”.

Abel destaca que a decisão está nas mãos do prefeito José Luiz Monteiro. “Eu só não entreguei esta benfeitoria para a população porque houve problemas burocráticos e de acabamento que atrasaram a entrega. Agora é um problema de gestão, o Prefeito é médico e deve decidir”, finaliza.