Saúde irá rever grade do SAMU

Os próprios socorristas reconhecem a necessidade de se rever a grade de referência do SAMU. Hoje a maioria dos casos estão sendo encaminhados para a UPA

Saúde Em 13/04/2017 21:39:23

Reportagem: Bruno Martins

 

Nesta semana a grade de urgência e emergência de atendimentos feitos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Santa Isabel, foi o assunto de reuniões e até da sessão de Câmara de terça-feira, 11/04. O vereador Márcio Pinho (PSC), que compõe a Comissão de Saúde da Câmara, cobrou respostas da Prefeitura sobre os procedimentos dos socorristas e quais são suas unidades de referências nos atendimentos emergenciais.

A grade de urgência e emergência do SAMU de Santa Isabel foi definida por decreto em julho de 2014, através da Portaria Nº 13.871. Lá ficou convencionado que pacientes que apresentem sintomas como abstinência, afogamento e até traumas torácicos e/ou cranianos leves, devem ser enviados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Já casos de traumas graves, abortamento, ferimentos causados por revolver ou facas e pacientes com queimaduras são levados direto para a Santa Casa de Misericórdia da cidade. 

Márcio Pinho discursou sobre o tema na tribuna da Câmara usando como exemplo o caso do acidente envolvendo o isabelense R.L. na semana passada, que morreu após cair de uma altura de aproximadamente três metros quando trabalhava numa unidade escolar do município. Para o Vereador o paciente apresentava sinais e sintomas que indicavam ser de extrema urgência, por isso precisava ser encaminhado diretamente para a Santa Casa e não para a UPA: “É preciso que isso seja investigado, pois se poderiam levá-lo direto para a Santa Casa, porque não fizeram isso? 

Márcio menciona que o próprio secretário de Saúde, José Heleno Antônio Pinto, já confirmou  que em cada dez mortes na UPA, “oito ocorrem por conta do tempo de transporte de paciente de uma unidade para a outra. É preciso rever essa grade para evitar que isso se repita”, disse. 

A coordenadora do SAMU, na cidade, Miriam Cardozo Novaes explica que os socorristas apenas cumprem as determinações que já foram definidas pela própria Secretaria: “Precisamos sentar com as duas unidades de referência para que os pontos de vista sejam avaliados e validados conforme a necessidade e gravidade dos casos. É preciso deixar claro que o SAMU não define nada”, disse. 

A diretora de Assistência e Saúde de Santa Isabel, Arlete Pinheiro diz que na próxima semana a Secretaria se reunirá com os representantes da Santa Casa, UPA e SAMU para discutirem a grade, a fim de rever as referências dos socorristas: “Já planejávamos esta reunião desde o mês passado, notamos que é preciso sim rever essa grade e o faremos”. 

A tabela do SAMU é composta por 52 tipos de sinais e sintomas de atendimento e em cada um é especificado a unidade de referência, a maioria sendo a UPA isabelense e outra parte a Santa Casa. Apenas doenças psiquiátrica ou comportamental em surto, a referência é o Hospital Municipal de Urgência de Guarulhos.