Quem paga a conta?

por Roberto Drumond

Crônicas Em 02/02/2018 22:49:55

Essa semana foram encontrados, em Igaratá, mais três macacos, possivelmente mortos pela febre amarela. Registre-se: o primeiro igarataense submetido ao tratamento contra a doença contraída na região onde foi encontrado o primeiro macaco morto, teve alta na Santa Casa de Jacareí onde estava internado.

Ainda em fase de identificação a causa morte de um paciente internado sob suspeita de ter contraído a doença na mesma região do bairro da Boa Vista. Noticiou-se também a morte de uma pessoa em São José dos Campos vítima do mal que está assustando o país.

As cidades estão em estado de alerta. Um alerta que teria sido anunciado no final de 2015, logo após o acidente na barragem de rejeitos de Mariana (MG) pelo biólogo André Ruschi. Ele não teve tempo de conferir sua profecia, faleceu pouco meses depois aos 60 anos de idade.

O Jornal Folha do Meio Ambiente publicou a história de que logo após a tragédia de Mariana, André Ruschi visitou uma fazenda, no município de Baixo Guandu (E.S.), às margens do Rio Doce, onde perguntou ao gerente da fazenda se ele tinha ouvido o coaxar dos sapos. Diante da resposta negativa o Biólogo teria afirmado que seria necessário se preparar para um surto de febre amarela, e explicou: - Sem peixes e sem sapos é inevitável isso acontecer. Peixes e sapos são os maiores predadores das larvas dos mosquitos que transmitem essas doenças!

Estamos agora pagando a conta desse desastre ambiental de novembro de 2015. E estamos a mais de mil quilômetros de distancia da divisa de Minas com o Espírito Santo onde a febre abateu os primeiros macacos. Dentro de alguns anos, ao se fazer o balanço da tragédia de Mariana, será necessário incluir os mortos humanos vítimas da febre.

O que sempre ficará em aberto será o custo da luta contra a doença. Por mais que as empresas responsáveis pelo desastre indenizem cidades e pessoas, o custo em vidas humanas e no esforço para conter a doença jamais será compensado. É o cidadão pagando, mais uma vez, pela irresponsabilidade das empresas e ineficiência do Estado.

Esse surto que dá os primeiros sinais em nossa região é uma prova inexorável da necessidade de se manter o equilíbrio ambiental. E esse é muito frágil e os macacos dão prova disso!