Quem foi Adriana Guerreiro?

“Educar é a arte de transformar vidas, nenhuma criança especial é bebê para sempre, mas uma pessoa com possibilidades ainda a se descobrir”, dizia Adriana. Saiba qual o legado da Professora de Educação Especial homenageada no 1º Simpósio de Educação de Santa Isabel

Cidades Em 09/08/2019 19:38:36

Texto: Érica Alcântara

A casa ainda é a mesma, o lugar dos móveis e os retratos de família espalhados sobre móveis que ela escolheu. A morte é uma passagem, mas a memória é o que nos eterniza. Há dois meses a professora Adriana Guerreiro perdeu a luta contra um câncer agressivo. Deixou um esposo apaixonado e uma filha amada no lar que construíram juntos. As lições que deixou ainda estão por aqui, são presentes que distância alguma separa. “Quando me perguntam que tipo de pessoa era a Adriana, respondo: do tipo dedicada, que honra compromissos e nunca abandona uma causa”, diz Márcio Martinez, companheiro de Adriana por 23 anos.

Adriana nasceu educadora, formada em pedagogia, se especializou em atender crianças com necessidades especiais. “Para muitas pessoas, estas crianças são eternos bebês. Mas para Adriana, este tipo de pensamento limita o número de oportunidades e impede o desenvolvimento de cada um dentro de suas possibilidades. Ela sabia que podia fazer mais por muitos alunos que sequer tinham voz”, diz Márcio.

Atuou como professora de inclusão na rede pública de ensino e na APAE (Associação de Pais e Amigos Excepcionais), também esteve na coordenação pedagógica e na assessoria administrativa da secretaria de Educação de Santa Isabel, paralelamente, fazia cursos de línguas e especializações constantes. Márcio lembra da capacidade de Adriana engajar profissionais da educação e os pais dos alunos. “Ela dizia que é nosso trabalho dar estímulos para criar oportunidades e a responsabilidade da evolução é compartilhada”, recorda.

Adriana não desistia, quando necessário fazia visitas domiciliares para auxiliar os pais e demais familiares de alunos e, mesmo quando não tinha recursos, adaptava e reciclava materiais para oferecer assistência individual e personalizada.

Quando descobriu que estava doente, um câncer de mama agressivo aos 48 anos, Adriana ainda enfrentou a situação fazendo todo o tratamento. Neste período se preocupou com o futuro da filha Lara, que aos 19 anos começa a desbravar no seu primeiro estágio o poder das palavras de sua vocação profissional – o jornalismo. “Não vou poder ver a minha filha se formar, mas cuida dela”, disse Adriana ao esposo e a irmã Eliane.

“Mas ela sabia que sempre fizemos o melhor, demos a Lara o acesso à informação, ao conhecimento do bem e do mal, para que ela possa escolher o bem e retribuir a sociedade com o bem”, diz Márcio. 

Em Arujá, sentado no sofá de sua casa, Márcio olha em volta e, com um olhar sereno percorre cada canto, diz que Adriana está em todo lugar. Quando questionado sobre o legado que ela deixou diz que aprendeu com ela que a educação é a arte de transformar vidas, de melhorar e para isso, basta se entregar. 

“Ela nunca se contentou com a mediocridade. Para Adriana os professores jamais devem subestimar a si mesmos e aos alunos em todas as possibilidades. Se estivesse aqui ela diria: ‘Tenham êxito mesmo que seja preciso nadar contra a corrente, nada é tão distante quanto os sonhos que abandonamos no caminho. É possível atingir a excelência e cada dia na vida é um novo dia para fazer mais e/do melhor’”.  

No dia 15 de julho Adriana foi homenageada pela secretaria de Educação de Santa Isabel. No próximo dia 13 completa dois meses de seu falecimento. A equipe do Jornal Ouvidor quer guardar na memória parte de sua história para que possamos ainda hoje aprender com ela. Gratidão a família de Adriana Guerreiro pela oportunidade de contarmos parte de sua vida.