Quadrilha que furtava gado em Minas é presa em Igaratá

O mandado de prisão foi cumprido pela Polícia Civil mineira de Pouso Alegre. Veterinário alerta para os riscos de comer carne de origem duvidosa

Segurança Pública Em 19/02/2021 23:51:39

Por Bruno Martins

Nesta semana a Polícia Civil do Sul de Minas Gerais esteve em Igaratá cumprindo um mandado de prisão expedido pela justiça mineira. Na ação foram presos quatro indivíduos. Eles faziam parte de uma quadrilha criminosa que agia em diversas cidades do Sul de Minas, furtando gado das fazendas e vendendo clandestinamente para frigoríficos e fazendeiros do estado de São Paulo. O prejuízo desse crime é  estimado em mais de R$5 milhões.  

As prisões ocorreram na manhã de terça-feira, 16/02. A Polícia Mineira já investigava a quadrilha por cerca de seis meses. Um dia antes de cumprirem o mandado de prisão em Igaratá, a polícia militar de Minas Gerais prendeu outros indivíduos entre os municípios de Minduri e Cruzília, no Sul de Minas. Os policiais trabalham com a hipótese de que todos são membros da mesma quadrilha presa em Igaratá. 

O Delegado Regional de Pouso Alegre, Dr. Rodrigo Gavião explica que essa quadrilha já vinha atuando na região mineira a quase um ano: “Eles sempre furtavam os animais à noite e as condições das estradas acabava facilitando a fuga e dificultando o trabalho de nossas equipes de investigação”, explicou o Delegado, que acredita que a operação terá novos desdobramentos em que outros membros da quadrilha podem ser presos. 

No dia da prisão, o Jornal Ouvidor conversou com um dos membros da equipe de investigação que esteve em Igaratá. De acordo com ele, a quadrilha furtou entre 400 e 500 cabeças de gado neste período, “totalizando um prejuízo aos fazendeiros de cerca de 5 milhões de reais”, explicou. 

Como Saber a procedência da carne que estou comprando?

O médico veterinário, Dr. Henrique Guèrin Reis alerta para o risco de se consumir carne de procedência duvidosa. “Estas carnes podem ser fruto de ação criminosa e, o que é pior, de animais que não receberam medicamentos e/ou vacinas, sendo sacrificados em locais sem higiene básica e, consequentemente, pode afetar a saúde de quem consome este tipo de carne”, destaca. 

Produtos obtidos a partir do abate clandestino podem apresentar contaminação por bactérias, toxinas e até parasitas, além de serem vetores das doenças transmitidas dos animais aos homens, como a tuberculose e brucelose: “Temos grandes frigoríficos que se preocupam em acompanhar a rastreabilidade da carne que produz, que se preocupam com o bem-estar dos animais, mas a maioria não”, lastima.

Dr. Henrique recomenda aos compradores a se atentarem as especificações das embalagens: “produtos como a carne por exemplo, tem de possuir na embalagem e no próprio produto o carimbo e o selo do serviço de inspeção. Nos municípios temos o SIM (Serviço de Inspeção Municipal) - que é responsável em determinar as diretrizes e a fiscalização dos produtores visando garantir a qualidade dos produtos. 

De acordo com o Veterinário, diante de qualquer suspeita de abate clandestino de animais, sem nenhum respeito as normas sanitárias, o cidadão deve procurar a vigilância sanitária do seu município ou até mesmo a polícia militar e fazer uma denúncia.