Prudência não faz mal

por Roberto Drumond

Crônicas Em 26/06/2020 22:24:50

Hoje vou me arriscar em um terreno alagadiço. Ouvi atentamente o depoimento do vereador Abel Franco Larini, o Abelzinho, de Arujá a respeito da iniciativa do também vereador Renato Caroba de pedir a instauração de uma comissão de inquérito para apurar o eventual envolvimento do prefeito José Luiz Monteiro e seu vice, Márcio de Oliveira, nos crimes que estão sendo apurados pela Polícia Civil na operação “Dinheiro Sujo”.

Parece-me que há uma precipitação nessa iniciativa e ainda que ela nasce com um vício; Caroba já se declara pre candidato a prefeito de Arujá, mesma condição que o irmão de Abelzinho, Leandro Larini, se declara para as próximas eleições.

Por mais que a comissão se esforce não conseguirá concluir esse trabalho a tempo de obter provas suficientes para cassar o atual prefeito ainda esse ano, mesmo porque, reza a constituição, todos são inocentes até prova em contrário. Me parece que a condenação de José Luíz e Márcio só será possível eleitoralmente já que, judicialmente há um caminho muito longo até que se chegue a uma sentença final na qual ambos sejam condenados.

Mas fica claro, nesse procedimento todo que tanto Caroba quanto os membros da Comissão encarregada de apurar esse envolvimento que o Legislativo de Arujá foi omisso na sua primeira missão, a de fiscalizar o poder Executivo, permitindo que se instalasse no município, recebendo do poder público, uma quadrilha de prestadores de serviços que aparentemente era fachada, de um bando de marginais.

Há de se compreender também que os vereadores não reúnem experiências suficientes e necessárias para uma investigação profunda, capaz de descobrir sob a manta dos preços baixos, os verdadeiros interesses dos bandidos disfarçados de organizações sociais e empresariais. Mas, sem dúvida nenhuma, qualquer consulta aos manuais de custos de associações setoriais pode ajudar a avaliar os valores se estão aviltados ou não. De qualquer modo o crime só pode se instalar porque não houve fiscalização, nem por parte da Prefeitura nem da Câmara, o que a torna ambos cumplices nessa ocorrência que levou Arujá às manchetes policiais.

Claro que essa investigação policial ainda vai longe e é preciso que haja prudência por parte dos vereadores para que não se condene ninguém sem efetivas provas, caso contrário a ação e o trabalho da Comissão passará a ser somente um espetáculo eleitoreiro na tentativa de linchar pessoas eventualmente interessadas em participar das eleições.

Não tenho procuração para defender ninguém. Essas ponderações têm apenas o sentido de alertar os leitores e os envolvidos para o risco que se corre de fazer da verdade a primeira vítima do processo eleitoral.