Professor da Etec de Bebedouro cria aplicativo para rugby em cadeira de rodas

Por meio do Scout, comissão técnica analisa movimentação dos atletas em quadra, melhores jogadas, acertos e falhas de desempenho; tecnologia já garantiu medalha de bronze para a Seleção Brasileira no Pan Americano

Esportes Em 13/11/2017 17:25:16

por Assessoria de Comunicação do Centro Paula Souza

Tecnologia e esporte de alto rendimento caminham cada vez mais juntos para melhorar o desempenho de atletas e equipes em diversas modalidades. E foi acompanhando as competições de rugby em cadeira de rodas que ocorrem na quadra da Escola Técnica Estadual (Etec) Prof. Ídio Zucchi, em Bebedouro, na região de Barretos, que o professor Rodrigo Santana desenvolveu o aplicativo Scout para auxiliar a comissão técnica da Seleção Brasileira da categoria a tomar decisões durante uma partida.

O rugby em cadeira de rodas foi criado no Canadá, em meados da década de 1970, por atletas tetraplégicos. Os jogos são disputados em quadra coberta e cada equipe é formada por quatro jogadores e mais oito reservas. A modalidade estreou nos Jogos Paralímpicos em 2000, em Sidney, Austrália, e chamou a atenção da audiência pelo dinamismo e pela grande quantidade de contato físico, características que tornam as disputas muito intensas.

Uma curiosidade neste esporte é que não há separação de gênero: mulheres e homens podem integrar a mesma equipe. Tanto que a Seleção Brasileira é comandada por uma mulher, a técnica Ana Paula Ramkrapes.

Tempo real

Ana Paula sentia a necessidade de um software que possibilitasse o acompanhamento em tempo real do andamento do time durante as partidas. Em competições internacionais, ela notou que equipes de ponta, como a Austrália, já usufruíam de tecnologia semelhante, mas muito acima das possibilidades financeiras da equipe brasileira. Durante um campeonato na Etec de Bebedouro, a técnica conversou com Santana, docente do curso técnico de Informática da unidade, sobre a possibilidade de automatizar o acesso da comissão técnica às informações colhidas pelos responsáveis pelas estatísticas da Seleção. 

Por meio do Scout, esses profissionais observam a movimentação dos atletas em quadra, as principais jogadas, eficiência ou falhas de posicionamento e de desempenho. As informações são transmitidas para o aplicativo na mesma hora e podem ser acessadas pela comissão técnica pelo celular e outros dispositivos móveis, possibilitando que os jogadores sejam orientados sobre eventuais mudanças estratégicas para vencer a partida.

“Antes, as informações chegavam ao nosso conhecimento depois do jogo, em uma planilha Excel. Só então podíamos analisar o que havia dado certo ou errado no desempenho da equipe”, explica Ana. “Quando precisava fazer alguma alteração durante a disputa, era tudo muito empírico, dependia da nossa intuição. Agora temos uma visão exata, em tempo real, do que está acontecendo.”

Medalhistas

O Scout foi utilizado pela primeira vez no Pan Americano da modalidade, disputado em setembro, no Paraguai. O Brasil ficou com a medalha de bronze. O app foi disponibilizado gratuitamente e o objetivo, de acordo com Santana, é que seja utilizado por mais equipes e por outras modalidades. “O esporte é uma forma muito importante de reabilitação e integração de pessoas com deficiência. Por isso fico muito feliz de contribuir com o aprimoramento dos times e atletas”, diz o educador.