Presos por produzir material pornográfico com as próprias filhas

Pai e mãe foram presos em Arujá depois que a polícia descobriu que eles produziam fotos íntimas das filhas de seis e dois anos

Segurança Pública Em 18/10/2019 20:18:29

Há duas semanas o pai de duas meninas foi preso em Arujá em uma operação da Polícia Federal. O sujeito era investigado por fazer a troca de material pornográfico com menores de idade na internet. Em seu celular, a polícia verificou que o indivíduo armazenava fotos íntimas das próprias filhas de seis e dois anos. Já na terça-feira, 15/10, a Polícia Civil de Arujá localizou e prendeu em Santa Isabel a mãe das meninas que confessou ser a produtora das imagens. 

"Nossa equipe foi surpreendida com a confissão da mulher de que ela mesma é que fazia as fotos das filhas e enviava para o pai, que não mora com elas. O argumento era de que o pai queria saber se elas estavam crescendo e se desenvolvendo bem, mas isso é incompatível com o tipo de fotos desse arquivo, que são revoltantes”, assegura o Delegado Dr. Antônio Carlos Cavalcanti para a imprensa.

Agora, o Delegado explica que prosseguem as investigações a participação e a Polícia aguarda o laudo médico e de psicologia para determinar se os pais também cometiam abuso sexual com as crianças. “Pelo crime de armazenamento do material de pornografia infantil os acusados podem pegar até oito anos de prisão”, diz Dr. Cavalcanti.

Conselho Tutelar

Casos como este são direcionados para o Conselho Tutelar que deve trabalhar para defender o direito e a integridade das crianças. As meninas receberam acompanhamento dos conselheiros e foram acolhidas por parentes, medida denominada família expandida.

Educação para proteção

O caso provocou a reflexão da sociedade arujaense e isabelense sobre a importância de crianças terem acesso à educação sexual por outros meios, além da família. 

De acordo com a psicóloga, Camila Britto, em condições ideais, “podemos pensar que seria ótimo que os pais fossem os únicos responsáveis por orientar as crianças nesse sentido. Mas infelizmente, nossa realidade é outra: a maior parte dos abusos é cometida por familiares e parentes, e por isso precisamos proteger as crianças de outras formas”, explica. 

Para a Psicóloga, quando a educação sexual é feita nas escolas, os pequenos aprendem a identificar quais são suas partes íntimas e que elas devem ser preservadas. “Orientamos a diferenciar toques de abuso e toques de afeto; falamos sobre o direito à privacidade e sobre o perigo de conteúdos pornográficos que existem na internet”, explica. 

Camila destaca que por mais que pareça óbvio e simples, a criança muitas vezes não entende as situações de abuso, que geram culpa e confusão em sua cabeça. “Por esse motivo, elas precisam de informações esclarecedoras. Esse não é o único caminho, mas sem dúvida é mais uma maneira para que elas possam estar mais protegidas”, finaliza.