Prefeitura abandona um milhão de reais em obras

No terminal foram investidos R$400 mil, no transbordo cerca de R$500 mil e nos poços artesianos R$175 mil. Quase um milhão de reais em obras que estão tomadas pelo mato e pelo abandono

Cidades Em 02/03/2018 21:54:11

por Bruno Martins

 

Obras inauguradas entre 2014 e 2016 em Santa Isabel estão abandonadas. O conjunto de obras públicas soma cerca de um milhão de reais em investimentos parados, sem uso pela gestão passada e esquecidas pela atual gestão desde 2017.  

Abandono no transbordo

Com a promessa de dar solução imediata ao destino do lixo da cidade o transbordo municipal foi uma das obras que sequer chegou a ter dois anos de uso. Funcionou de janeiro de 2015 à aproximadamente abril de 2016, período em que a prefeitura recebeu a licença emergencial da Cetesb para retirar o lixo do centro e levá-lo ao local adequado. O Polo de Sustentabilidade foi oficialmente inaugurado em dezembro de 2016, mas nunca foi usado. Hoje o lixo é enviado diretamente ao aterro Anaconda, no Bairro Cachoeira, e o transbordo está abandonado.

Na época o Transbordo e o Polo de Sustentabilidade custaram aos cofres públicos aproximadamente R$500 mil. O galpão que deveria receber a cooperativa de reciclagem da cidade, hoje abriga mato, entulho e uma cadela ferida que aparentemente foi abandonada no espaço devido ao local ser pouco monitorado, ermo e tomado por mato, o que facilita estas e outras possíveis irregularidades.   

Galpão vira pousada e pátio da feira estacionamento 

Desde que foi interditado pela secretaria Estadual de Defesa Agropecuária, em outubro do ano passado, o Centro de Exposições Pátio da Feira de Santa Isabel passou meses fechado. O espaço foi construído para abrigar os produtores rurais para o livre comércio de animais, mas atualmente serve de abrigo a pessoas em situação de rua e, supostamente, para usuários de drogas. 

As secretarias Municipais de Meio Ambiente e Promoção Social até realizaram ações de desocupação no local, na quarta-feira, 14/02, oferecendo a estes moradores abrigo temporário na Casa de Passagem, mas menos de uma semana depois a área já estava ocupada novamente. Bloqueios foram feitos nas portas com madeira e caibros, mas não foram suficientes para impedir que as portas fossem arrombadas e que estes indivíduos voltassem a dormir no galpão. 

A gestão da época defendia que não houve custos ao município para a construção do Galpão, pois trata-se de uma parceria público-privada. O mesmo molde de parceria se deu também para a construção do Pátio da Feira, que já está finalizado, mas não está em seu devido uso. O espaço que deveria abrigar a tradicional feira da cidade nas terças-feiras, tem servido apenas para estacionamento de veículos de pequeno e até grande porte como caminhões e carretas. A feira continua sendo realizada no pátio de ônibus do Terminal Rodoviário.  

Terminal Rodoviário da PEM

O primeiro Terminal Rodoviário e Urbano de Santa Isabel custou aos cofres públicos da prefeitura R$406.729,74. A construção foi realizada apenas com recursos municipais, o objetivo principal do prédio era abrigar além dos coletivos municipais da PEM, também os ônibus intermunicipais como Breda, Pássaro Marrom e Radial. Atualmente, o terminal tem abrigado apenas os ônibus da PEM e a sala construída no espaço para a recepção ao turista é utilizada pelos fiscais e motoristas da empresa. Os banheiros seguem abertos a uso diário da população. 

“Nossa cidade tem um terminal, que sequer possui uma placa de informação indicando os horários de chegada e saída dos ônibus, o chão está totalmente quebrado com os paralelepípedos todos saindo. É lamentável ver que uma obra que tinha tudo para melhorar a recepção e saída dos turistas da nossa cidade está assim”, lamenta a moradora Maria dos Santos. 

Poços sem utilidades 

Perfurados em 2014, para amenizar a falta de água que assolou Santa Isabel no período da crise hídrica entre os anos de 2013 a 2015. Os poços artesianos dos bairros Vila Guilherme e Vila Gumercindo na Av. Brasil aparentemente nunca foram utilizados. Além destes, a prefeitura também perfurou um poço na Vila São Pedro, na mesma época, este é o único que está em uso pela população e beneficia aproximadamente 100 famílias. 

O investimento da prefeitura em poços foi de aproximadamente R$175 mil. 

Projetos 

As secretarias de Meio Ambiente e de Trânsito estudam projetos que buscam dar utilidade a essas obras. No Meio Ambiente o secretário da Pasta, Reinaldo Nunes, disse que a administração pretende manter a ideia da antiga gestão de levar a Cooperativa da Reciclagem, hoje situada em frente a secretaria de Serviços Municipais, Bairro Brotas, para o galpão do Transbordo no Bairro Km 55. 

No centro de exposições, Reinaldo disse que a área será repassada para que os produtores rurais comercializem seus produtos no local: “A ideia é tentar devolver o espaço para os vendedores de animais, mas buscamos as devidas licenças para isso, a fim de evitar novas interdições e embargos”, esclareceu. A tradicional feira, Reinaldo garante que tão logo ela será instalada em seu devido pátio, saindo do Terminal Rodoviário.  

O secretário de Trânsito, Jairo Furini, disse que junto com a secretaria de Planejamento vai colocar o terminal para funcionar: “Faremos adequações que permitirão o espaço ser utilizado não só por uma empresa de ônibus, mas por todas as outras que prestam serviços em nossa cidade. Daremos vida a este terminal e faremos ele realmente funcionar”, disse Jairo.

A Sabesp informa não ser responsável pelos poços artesianos. A reportagem questionou a assessoria de imprensa da Prefeitura que até a publicação desta matéria, não se manifestou.