PEDRA DE NOSSO CAMINHO

por Roberto Drumond

Colunas & Opiniões Em 24/05/2014 01:25:18

Embora no meu trabalho e em minha vida social algumas vezes sou exigido, sou muito pouco afeito a usar as tribunas para falar. Prefiro escrever porque, assim, posso depois rever e considerar as minhas reflexões. Mas na segunda-feira passada me senti impulsionado a assumir a Tribuna da Câmara Municipal de Santa Isabel para expressar a minha opinião a respeito de um dos temas que estava sendo debatido: a questão da mineração no município.

Por princípio achei errado o modo como foi conduzida a audiência pública. Acho que estamos aprendendo a organizar esse tipo de evento e é importante que nos manifestemos até mesmo para evitar incorrer no mesmo erro outras vezes. Em minha opinião deveria ter sido formulada uma pergunta a partir da qual se desenrolaria o debate. Do modo como foi conduzido, o tema ficou aberto, favorecendo a desvios que somente alongaram o encontro.

A meu ver a pergunta deveria versar sobre transformar a área considerada como de “Recuperação Ambiental” no Plano Diretor de 2007, em área de mineração ou não. Depois dos “considerandos”, viria a votação conclusiva.

Vou reafirmar o que disse naquele dia na Tribuna (talvez um pouco mais claramente!), e acrescento: venho de uma terra onde a mineração é uma das principais atividades, portanto sinto-me à vontade para falar. Atualmente pedra ainda é fundamental na indústria da construção civil e a cada dia que passa, São Paulo está indo buscar essa pedra mais longe. Chegará o momento em que esse produto será substituído por outro, mas ainda é o mais barato. Sentar em cima desse tesouro para que ninguém o toque, equivale àquele doce que guardamos para uma ocasião especial e, quando ela chega, descobrimos que o doce estragou.

O que não se pode admitir é que as empresas cheguem e se instalem como se estivessem em uma terra sem lei, onde não há nenhum tipo de controle sobre suas atividades. Chegam e com a cumplicidade de algumas autoridades, enfiam goela abaixo o que querem, impondo o seu jeito de trabalhar.

A terra e a pedra têm função social, e essa função tem de ser cumprida; e cabe à Câmara, através da geração de leis, e ao executivo, através da vigilância permanente, fazer com que esse objetivo seja atingido.

A água que generosamente corre em nosso território (e que um dia foi limpa) limita bastante o nosso desenvolvimento por força de leis federais e estaduais. Vamos agora criar uma lei municipal para que seja a pedra a impedir o nosso crescimento? Precisamos do valor que a pedra pode dar ao município, e é possível a convivência das minerações com o meio ambiente, e a Vale está ai, é uma das maiores do mundo.

 

A continuar com o pensamento de impedir tudo o que se propõe, o melhor será colocar no próximo Plano Diretor a proibição de se fazer crianças. Em breve não teremos casas para abrigar as pessoas, nem empregos e nem alimentação para elas. O que hoje acomete nossos jovens é só um aviso!