Partos de adolescentes aumentam mais de 33% em apenas oito meses

24 adolescentes menores de 18 anos deram à luz na Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabel neste ano, em todo o período do ano passado foram apenas 18

Saúde Em 17/08/2018 19:24:51

De janeiro a agosto deste ano 24 bebês nasceram na Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabel filhos de mães adolescentes, que com idade entre 13 e 17 anos, precocemente passam a assumir a responsabilidade de cuidar de filhos. O número representa um aumento de 33,33% comparado aos 18 partos de adolescentes que a Santa Casa fez em todo o período do ano passado. 

O número pode ser ainda maior devido aos casos de adolescentes grávidas que não buscam atendimento na rede básica e fazem o pré-natal na rede particular. Os dados da Santa Casa dizem respeito apenas a partos já realizados na unidade. De acordo com a administração, as adolescentes que deram à luz na Santa Casa, não fazem acompanhamento de seu pré-natal na unidade e sim nos postos de saúde: “A maioria chega aqui apenas para ter o bebê, dão à luz e após alta seguem suas vidas”, explica a enfermeira e responsável pelo setor de controle de infecções da Santa Casa, Daniela Aparecida Macedo.  

A adolescente mais nova que deu à luz na Santa Casa neste ano tinha 13 anos e a mais velha apenas 17. De acordo com uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (IPEA), divulgada no fim do ano passado 76% das adolescentes que engravidam no Brasil, abandonam a escola e 58% não estudam e nem trabalham. A prefeitura não informou sobre as políticas relacionadas a Educação que são aplicadas a estas adolescentes a fim de garantir que elas continuem na escola mesmo após a gestação. 

No que diz respeito a políticas públicas da Saúde a Secretaria informou que toda a gestante do município, independentemente da idade: “São direcionadas ao acompanhamento na Unidade de Saúde de referência. Quando acontecem complicações ou agravos à saúde, a gestante é encaminhada para o pré-natal de alto risco e posteriormente ao Planejamento Familiar”, disse.

Além de conscientização sobre a gravidez indesejada, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) são os temas mais abordados pela secretaria de Saúde nas palestras feitas nas escolas do município como ação educativa, a fim de diminuir os índices de adolescentes grávidas na cidade. Só neste ano a Secretaria informa já ter distribuído 32.247 preservativos masculinos e 1.300 preservativos femininos. 

Baixa adesão da Rede Cegonha

Integrada à Rede Cegonha desde 2013, a administração da Santa Casa revela ter sido cada vez mais difícil atrair gestantes e parceiros para as palestras do programa do Governo Federal que visa fundamentar os princípios de humanização e assistência a gestantes e crianças de zero a dois anos.    

“Há reuniões que nós temos seis gestantes, mas no mês seguinte há reuniões que não temos nenhuma mãe grávida, e isso é muito ruim tanto para a família quanto para o Sistema de Saúde. O objetivo dos nossos encontros é, além de falar de saúde e bem-estar da mãe e do bebê, mostrar a família as nossas dependências, informar a mãe que ela tem o direito de escolher quem irá acompanhar o seu parto”, explica Alexandre Maia Ribeiro, diretor administrativo da Santa Casa. 

Os encontros da Rede Cegonha ocorrem uma vez por mês na Santa Casa e a mulher é automaticamente incluída no Programa, desde a primeira consulta no posto de saúde de sua referência onde ela fará seu pré-natal. 

Sobre os casos de adolescentes grávidas a Santa Casa informa que só aciona o Conselho Tutelar apenas nos casos onde a menor não apresenta responsável que a acompanhe em sua gestação e, principalmente no dia do parto: “Quando notamos que a menor chega ao hospital para dar à luz completamente desassistida de um adulto, nós acionamos imediatamente o Conselho, para que o mesmo identifique a família desta adolescente. Porém na maioria dos casos os pais possuem conhecimento da gravidez das filhas e se prontificam a acompanhá-los no passo a passo da gestação”, conclui a enfermeira Daniela. 

Arujá informou que de janeiro a agosto deste ano 24 gestantes, menores de idade, deram entrada nas unidades básicas de saúde do município para início do pré-natal. Das 60 gestantes em Igaratá nesses oito meses de 2018, apenas cinco são adolescentes, cerca de 8%. No ano passado, das 100 grávidas, 14 eram menores de 18 anos.