PANDEMIA PODE RETARDAR CURA DE CÂNCER

Cidades registram queda nos exames de mamografia. Para SBM essa redução prejudicará ainda mais as mulheres, pois pode acarretar em menor chance de cura aos tratamentos de câncer de mama

Saúde Em 17/10/2020 00:30:41

por Bruno Martins

“O exame de mamografia é hoje o método mais eficaz no diagnóstico preventivo de câncer na mama. Capaz de identificar tumores ainda precoces, somente a mamografia pode ajudar a reduzir a mortalidade de mulheres”, o alerta é feito pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que identificou nos sete primeiros meses de 2020, uma queda de 45% nestes exames. Na região, também houve queda na procura por exames de rastreamento mamário e essa baixa se deve a pandemia da Covid-19.

O Ministério da Saúde (MS) ressalta que a queda na procura pelos exames de mamografia se deu muito por conta da pandemia e do isolamento social. Entre janeiro e julho deste ano, o MS identificou apenas a realização de 1,1 milhão de mamografias em seus cadastros do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos mesmos períodos de 2018 e 2019, o país realizou 2,1 milhões de exames.

Mamografias em Santa Isabel também caíram 45%

Em Santa Isabel os dados da Secretaria Municipal de Saúde, também apresentam uma redução significativa. Entre janeiro e setembro deste ano a Secretaria registrou a realização de 466 mamografias, uma queda de 44,91% se comparado ao número realizado no mesmo período do ano passado, em que foram feitos 846 procedimentos.

Entre 2018 e 2020, Santa Isabel registrou 87 novos casos de câncer em mulheres, deste total, 28 foram identificados nos nove primeiros meses deste ano. As neoplasias mais comuns na cidade em mulheres são útero, mama, ovário, intestino e vulva.

A secretária de Saúde, Estela Santana explica que por ser um tratamento de alta complexidade os pacientes oncológicos são referenciados a unidades de responsabilidade do Governo do Estado e ao município cabe fornecer o transporte sanitário, acompanhar e tratar na medida do possível as doenças de base, ofertando todo suporte que for necessário.

A Organização Mundial da Saúde recomenda uma cobertura de 70% da oferta de mamografias a mulheres no Brasil. Hoje segundo o Ministério da Saúde essa cobertura é de apenas 20%. 

Apesar da queda nos exames realizados, Estela explica que a média mensal de mamografias ofertadas pela secretaria de saúde é de 205: “Porém é importante ressaltar que com a pandemia e como forma de precaução tivemos que por um período suspender os atendimentos eletivos, mas mantivemos o atendimento nas unidades de referência e a oferta de transporte sanitário aos pacientes que estão em tratamento oncológico”, explicou.

Ao todo, nos últimos dois anos Santa Isabel registrou dez casos de câncer de mama em mulheres, dois casos foram diagnosticados neste ano. De acordo com a Secretaria de Saúde cerca de quatro mulheres morreram, neste ano, vítimas de algum tipo de câncer.

Estela Santana ressalta que todas as unidades de saúde de Santa Isabel dispõem do exame de Papanicolau, que viabiliza o diagnóstico precoce do câncer de útero: “As mamografias são agendadas pelos postos de saúde e são feitas na Santa Casa de Santa Isabel. Ou quando necessário as pacientes são referenciadas aos hospitais Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes e o Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, além do AME de Mogi das Cruzes”, disse. 

Para a SBM, a redução dos exames de mamografias poderá trazer um prejuízo para as mulheres com a possibilidade de aumento do tumor e menor chance de cura e de uma sobrevida mais longa. “Estamos muito preocupados com a questão do tratamento postergado e o diagnóstico tardio. Por isso, enfatizamos que as mulheres não podem deixar de fazer seu tratamento ou seus exames. O atendimento nas unidades está sendo feito de maneira segura e as mulheres devem retornar a sua rotina de agendar sua consulta e exames”, afirma o médico mastologista Dr. Vilmar Marques, presidente da SBM.