Pandemia freou crimes, mas não conteve homicídios

Enquanto os números de roubos e furtos caíram, os índices de homicídio apresentaram uma ligeira alta. Os dados levam em consideração os registros destes crimes nas cidades da região

Segurança Pública Em 04/09/2020 20:53:59

por Bruno Martins

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), que levam em consideração as ocorrências criminais registradas entre janeiro e julho de 2020, comparado ao mesmo período do ano passado, evidenciam redução de mais de 24% nos crimes ocorridos entre Arujá, Igaratá e Santa Isabel. 

“No início, a pandemia do novo coronavírus retraiu demais as pessoas, obrigando-as a adoção de um isolamento social, o que se vê com a redução de alguns crimes é que ela também retraiu os bandidos”. Quem fala é o Capitão e comandante da Polícia Militar de Arujá e Santa Isabel, Anderson Pelegrine. 

Furtos e roubos caíram em média 25%

Juntas Arujá e Santa Isabel registraram entre janeiro e julho deste ano um total de 180 casos de roubos outros, 25% menos do total registrado no mesmo período do ano passado. 

Em relação aos casos de furto, as duas cidades juntas registraram 422 casos. Uma redução de 24% comparado a 2019.

O Capitão Pelegrine explica que não só a pandemia contribuiu para essa diminuição como também as ações assertivas e estratégicas da Polícia Militar: “Tanto aqui em Arujá quanto em Santa Isabel nosso policiamento visou uma proximidade maior com a comunidade. Desde que assumi o comando da Companhia a nossa única meta foi de aumentar nossos efetivos nas ruas”, ressaltou.

Em Arujá, Cap. Pelegrine disse que já está providenciando a desativação da base fixa da PM no Bairro Pq. Rodrigo Barreto: “É importante dizer que a desativação de uma base fixa não significa menos policiamento naquela localidade, pelo contrário. Eu tiro policiais de serviços administrativos, para utilizá-los na rua em funções mais ostensivas visando inibir cada vez mais a criminalidade”, explica. 

Se desativada a base da PM do Barreto deverá ser repassada para a Guarda Municipal. 

O Capitão ainda ressaltou a importância das bases móveis que tanto Arujá quanto Santa Isabel dispõem: “Cada município hoje tem a sua base móvel, aquele veículo tipo van, que pode estar instalado provisoriamente na região central, mas também pode estar em um bairro mais distante. Além de intimidar qualquer ação irregular, essas bases também auxiliam a comunidade até no registro de ocorrências, pois possuem equipamentos e tecnologia para isso”, diz. 

Nos dados da SSP a redução entre os meses de março a abril deste ano se destacam, período este dos primeiros casos da Covid-19 no Brasil e a fase inicial da quarentena em São Paulo imposta pelo governo Estadual. 

Só em Arujá, por exemplo, os furtos que vinham de 45 em janeiro para 47 em março, caíram para 26 em abril e 25 em maio, já em julho, estes casos saltaram para 34.    

“De junho para cá, os bandidos encontraram motivos para agir e talvez a liberação de recursos, como o auxílio emergencial, por exemplo, pode estar intimamente ligada ao aumento repentino destes crimes. Tivemos longas filas nas agências bancárias, mais dinheiro circulando no comércio tudo isso acaba se tornando um atrativo”, disse Pelegrine. 

Para combater esses crimes, Pelegrine aumentou a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (ROCAM) pelas regiões centrais de Arujá e Santa Isabel e também mudou horários e remanejou o serviço de patrulhamento nas cidades.  

Com ligeira alta, os homicídios não pararam com a pandemia 

Até julho, Arujá registrou 4 casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar). Levando em consideração todo o período de 2019, a cidade havia registrado apenas 3.  

Em Santa Isabel, a SSP já contabiliza 3 homicídios registrados neste ano na cidade, enquanto no ano passado, entre janeiro e julho, foram 2. 

“Todos os casos que terminaram em morte podemos levar em consideração o cunho emocional, era uma discussão entre vizinhos ou até familiares que partiu para uma briga e por fim veio o ataque, alguns exagerados com auxílio de alguma faca ou revólver que acabou resultando em morte”, explicou Pelegrine.

De março para cá, Santa Isabel não registrou nenhum homicídio. Por outro lado, Arujá registrou um caso em março e 2 casos em maio. Embora ainda não computado pela SSP, em agosto, após uma discussão, um homem foi morto em um pesqueiro na cidade. 

Embora com redução, casos de estupros ainda preocupam 

Houve 40% de redução o número de casos registrados de estupro, este dado ainda preocupa a PM. Pelegrine explica que o período de pandemia e o isolamento das famílias em razão do coronavírus pode estar escondendo e facilitando abusos e violências domésticas e, por isso, é importantíssimo que tanto a PM quanto a própria comunidade estejam atentas aos sinais. 

Mesmo sem aulas presenciais a ronda escolar continua visitando as escolas. “Conversamos com diretores e professores que mesmo nas aulas a distância, quando observam qualquer comportamento diferente dos alunos que possa levantar a suspeita de um abuso ou coisas do tipo, eles nos comunicam, e com os dados e endereço destas crianças a gente aumenta a patrulha policial na região onde ela mora na busca de identificar o que pode estar acontecendo”, disse. 

Sobre os casos de violência doméstica, o Capitão lembra que as vítimas podem procurar os meios digitais rápidos para pedir ajuda como o aplicativo SOS Mulher e o próprio 190 da PM. 

A redução dos crimes em Igaratá 

Seguindo as suas vizinhas, Igaratá também apresentou queda na criminalidade. Se analisado os registros de roubos, furtos, estupros e homicídios os crimes lá caíram 27,6%. 

A cidade registrou de janeiro a julho deste ano, 3 casos de estupro, no mesmo período do ano passado foram 2 casos. Com relação aos homicídios Igaratá segue com 1 caso registrado até aqui. 

Veja na tabela o registro das ocorrências por cidade e o comparativo destes crimes com o mesmo período do ano passado.