Pandemia e saúde mental

por Camila Britto

Crônicas Em 21/03/2020 01:27:04

O que mais poderia ser dito a respeito do coronavírus diante de tantas notícias que estamos recebendo?

Tenho visto que, apesar da indiscutível relevância das informações a respeito do novo vírus, a quantidade de informações tem tido um efeito altamente ansiogênico nas pessoas.

As angústias que ouço nos atendimentos me fazem perceber o quanto algumas pessoas estão preocupadas, ansiosas, desesperadas.

No geral, a maior preocupação é com os familiares idosos; agora, está se intensificando o receio também com as crianças.

Existe hoje em nossa sociedade uma linha muito tênue que separa quem está beirando a histeria coletiva, e quem por outro lado parece ignorar a situação atual, sendo até negligente e irresponsável em suas ações.

Mais uma vez, a polarização e o extremismo se fazem presentes, e mais uma vez, temos de encontrar o caminho do meio.

Se você é jovem e saudável, pode pensar que contrair o vírus não representará grande ameaça para sua saúde. Porém, esse é o momento de usar a tão aclamada e famosa empatia, aquela que aparece em tantos discursos e textos, e entender que uma pessoa com coronavírus irá representar um custo para o Estado, poderá ocupar um leito de hospital público ou privado e provavelmente contaminará outras pessoas. Não é só a sua saúde que importa. Existem outros mais vulneráveis e fracos, e existe um mundo além do nosso umbigo.

Já para quem tem ficado extremamente aflito, vamos aos fatos: pandemia não tem a ver com a gravidade da infecção em si, mas sim com a extensão da contaminação. Estamos falando de um vírus que não tem alta letalidade, mas que pela rapidez de sua propagação, deve obviamente ser contido. Aliás, é comum ocorrerem pandemias diante de vírus novos, já que não possuímos defesas naturais e medicamentos para nos proteger num primeiro momento.

O pânico gerado inconscientemente pela palavra pandemia e por outras informações que vemos por aí é prejudicial e não frutífero.

O mais importante é se concentrar em ações preventivas, orientar as crianças sem alarde e gerenciar nossas emoções com a maior tranquilidade possível. Se as notícias estiverem te fazendo muito mal, fique longe delas por algum tempo. Se precisar, procure um psicólogo. A categoria está autorizada a realizar atendimentos online para atender quem precise.

No mais, fique em casa. Simples assim. Para algumas pessoas parece ser difícil estar em casa consigo mesmo, com seus pensamentos, com sua família. Mas é disso que precisamos agora.

Quando tudo isso acabar, podemos sair melhores de tudo isso. Nada como uma situação ameaçadora e alarmante para nos fazer pensar no real sentido de empatia, bem-estar coletivo, para nos fazer rever prioridades e criar soluções diante do que parece perdido. Vamos ficar bem, e a maneira que cada um vai encarar esse desafio, dirá muito sobre nós.