PANDEMIA DO BEM

por Roberto Drumond

Crônicas Em 21/03/2020 01:36:01

A experiência de passar por uma pandemia é inédita para a maioria das pessoas. Embora na segunda metade do século XX até hoje tenhamos convivido com algumas variedades de doenças endêmicas, nenhuma se mostrou tão violenta e com consequências tão rápidas.

Só para lembrar aos mais idosos e ilustrar os mais jovens, de 1957 até 2009 passamos por cinco pandemias. Algumas tiveram reflexos no Brasil, mas a maioria delas não mereceu muita atenção de nossa imprensa e deixou poucas marcas algumas apenas assustaram. Citando tivemos a gripe asiática, depois a Hong Kong, a Russa entre 77 e 78, a aviária em 2004 e a suína, em 2009.

A atual tem como principal característica a velocidade com que ela se propaga e, mais do que isso a velocidade com que as notícias sobre ela se propagam. Graças à tecnologia, o paciente é internado na China e quase que imediatamente ficamos sabendo disso no Brasil. A velocidade e a capacidade do ser humano em querer divulgar é tamanha que basta um espirro em Brasília para que o país inteiro diga que a pandemia chegou ao planalto. E chegou mesmo!!! Mas nem tudo é verdade. A mesma tecnologia que nos ajuda a divulgar, nos transforma em joguetes nas mãos de pessoas inescrupulosas que se alegram em criar pânico e difundir mentiras.

O melhor remédio contra o pânico que esse momento pode gerar é a informação. E esse papel vem sendo exercido pela imprensa brasileira com eficiência e responsabilidade. Certamente essa contribuição vai atenuar muito os efeitos da doença. É apenas necessário que o cidadão que, em decorrência do confinamento passa o tempo diante dos meios de comunicação, não compartilhe notícias alarmantes, de procedência duvidosa. É fácil filtrar: a notícia responsável tem fonte. Busque a notícia na sua origem ou consulte os veículos que demonstram compromisso com o que divulgam, como é o caso das redes sociais do Jornal Ouvidor.

Devemos aproveitar esse tempo em que nos é recomendado permanecer em casa para aumentar o nosso diálogo em família (claro que mantendo a distância de pelo menos um metro entre os participantes); rever documentos e arquivos esquecidos, dar uma boa arrumação retirando dos armários e gavetas as roupas que podem ser úteis a quem não tem, ou mesmo fazer aquele curso que há tempo vem sendo desejado. Diversas empresas estão oferecendo gratuitamente diversos cursos, muitos até mesmo certificados pelo Ministério da Educação e Cultura. Podemos até mesmo nos dedicar a encontrar os locais onde o mosquito da dengue se abriga, contribuindo com o combate à outra doença.

Estimo que quando tudo passar, e passará, o Brasil e todos nós sairemos melhores dessa crise. Teremos descoberto que tudo o que fazemos reflete na vida dos outros. Vamos nos preocupar em contagiar as pessoas com esperança, com fé e com a certeza de que, depende unicamente de nós a qualidade de vida que desejamos.