Os Intocáveis!

por Roberto Drumond

Crônicas Em 13/04/2018 22:51:37

A crônica dessa semana nasce de uma freada brusca. A vontade foi de pegar um cinto de couro, daqueles que se usava antigamente, e lanhar as costas de dois adolescentes que, defronte a um ponto de ônibus brincavam de empurrar um ao outro para cima dos carros que passavam na movimentada avenida.

Claro que não havia cinto nem o faria, aliás, hoje tentar educar crianças e adolescentes com a receita de meus pais e avós resulta em multa, trabalhos comunitários senão a cadeia. Mas a brincadeira de empurrar um ao outro para diante dos carros poderia resultar se não em morte, uma invalidez, quem sabe permanente.

Não creio que o Estatuto da Criança e Adolescente esteja errado, mas lamento que ele não tenha criado mecanismos capazes de fazer com que os jovens possam ser educados e responsabilizados por seus atos, inclusive suas brincadeiras. Ao impedir a punição o Estatuto eliminou formas violentas de responsabilizar os menores, mas ao isentá-los de responsabilidade de seus atos, não só estimula mas incentiva pela impunidade o risco de ocorrências mais graves.

O correto em meu pequeno entendimento seria a própria lei, através do próprio estado, responsabilizar o jovem por seus atos, como ocorre em outros países mais desenvolvidos como a Inglaterra. Lembro-me bem de uma criança que empurrou a outra diante de um trem. Foi presa, julgada e condenada. Ficou sob a guarda dos pais até se tornar maior, quando foi levada para o presídio do Estado.

A reportagem de hoje que trata desse assunto narra casos absurdos contados por usuários dos coletivos. São histórias como de sexo explicito praticado à luz do dia, diante do olhar escandalizado de adultos e da impossibilidade de ação dos funcionários da empresa, ou mesmo atos de vandalismo e de algazarras perturbando a condução dos ônibus.

A morte ou a invalidez de uma pessoa por atropelamento gera uma comoção capaz de traumatizar o motorista pelo resto da vida. Mas são poucos os entendimentos que dão à vítima a responsabilidade sobre o que acontece com ela própria, especialmente quando são jovens e esses, à luz do senso comum, são quase que intocáveis.

O que falta nesses jovens que displicentes empurram-se uns aos outros nas ruas e avenidas é aquele condimento de vida que normalmente deveria ser dado em casa: educação, responsabilidade e respeito pela própria vida e pela vida dos outros. Frequentemente nos comovemos por um cão atropelado, mais ainda quando temos um jovem ou um idoso, mas nunca nos questionamos do que provoca esses acidentes. Pode ser apenas uma simples e impune brincadeira de mau gosto!