O Futuro Incerto para o Igaratá Social Clube

Na manhã de quinta-feira passada a Vigilância Sanitária de Igaratá interditou a piscina do Clube

Esportes Cultura Cidades Em 03/03/2017 19:01:26

 

Com uma dívida estimada em mais de duzentos mil reais o Igaratá Social Clube poderá ser desapropriado pela Prefeitura e transformado em um centro de lazer da comunidade. Essa é uma das saídas que pode ser definida na próxima Assembléia Geral Extraordinária a ser convocada pela atual presidente Fátima Silva e Silva caso o Conselho Deliberativo aceite essa proposta até o final desse mês.

Fundado em 1974 com o propósito de oferecer entretenimento e lazer para a cidade que se reconstruía dez anos depois da mudança, o Clube rapidamente se implantou como um centro de convivência especialmente pelo amplo salão e pela quadra esportiva. Ao longo dos anos foi cenário para casamentos, aniversários, confraternizações e formaturas. Nos anos 80 recebeu bandas de sucesso e conseguiu reunir nos fins de semana dezenas de famílias de toda região para as festas de sábado à noite.

Nos anos 90 ganhou a piscina e ampliou o lazer adicionando novos horários aos esportes. Uma empresa que atuava na construção da rodovia D. Pedro I fez a doação da iluminação da quadra e ela própria, em parceria com empresas locais entre elas o Jornal Ouvidor, patrocinou campeonatos e torneios em troca de incluir seus funcionários no direito de praticar esportes.

No decorrer de toda a sua existência teve vários cidadãos voluntários em sua diretoria poucos, entretanto, se preocuparam com as obrigações sociais dos dedicados funcionários que, mesmo com os baixos salários e, freqüentemente em atraso, mantiveram o clube em funcionamento.

Nos últimos anos o Clube perdeu a concorrência para as baladas de ruas, os bares e as redes sociais deixando de ser o elemento de convivência social que lhe deu origem. Pressionado pela vizinhança reclamando do som alto foi impedido de promover bailes, e a quadra de esportes e o salão viraram espaço para a terceira idade que ainda cultiva a amizade na base do olho nos olhos, dos sorrisos e dos abraços. Dos 70 sócios ativos que recolhem ao cofre do clube apenas R$30,00 de mensalidade, a maioria é inadimplente. – É um clube de verão, observa o ex-presidente Jerônimo de Oliveira. – O que salva, acrescenta, é que o Clube tem um custo muito baixo: apenas um funcionário que dá conta de quase tudo”. O resto é dedicação de voluntários e a receita gerada com a ação proibida na quinta-feira passsada: mediante o pagamento de uma pequena taxa qualquer pessoa podia freqüentar a piscina sem mesmo até do exame médico obrigatório.

A reunião do Conselho Deliberativo a ser convocada pela presidente que tem o seu mandato até 2018 deve ser realizada ainda nesse mês de março e pode dar o destino de se oficializar o futuro do Clube, com o município assumindo não apenas o seu patrimônio, mas também o seu passivo que, no entendimento de Jerônimo Oliveira deve ficar entre 70 e 100 mil reais.

Questionado sobre o interesse da Prefeitura em assumir o problema o Prefeito Celso Palau é reticente. Para ele a área e as instalações do Igaratá Social Clube são um patrimônio invejável e sem dúvida nenhuma pode ser transformado em uma unidade de interesse social, contudo tudo depende não só de entendimento entre a Prefeitura e a Assembléia Geral Extraordinária que deve ser convocada especialmente para esse objetivo, como também uma negociação com os credores do Clube, para avaliar a capacidade de endividamento do poder público em relação ao contrato de terceiros: – Mas, sem dúvida nenhuma, é uma operação de interesse da comunidade! Mas depende ainda de muito entendimento e de recursos que o município não dispõe!