O drama de ir à escola

Ônibus escolares abarrotados, uma peregrinação de quilômetros em estradas enlameadas, são estas e muitas outras dificuldades enfrentadas por estudantes da Rede Municipal de ensino de Santa Isabel.

Trânsito Cidades Educação Em 04/03/2016 18:42:04

Reportagem: Bruno Martins

 

Matricular um filho e colocá-lo na escola é o desejo e obrigação de todos os pais, que enxergam na educação a esperança de uma vida melhor. Nunca a distância que separou a casa dos estudantes até uma carteira escolar foi tão grande. Em Santa Isabel estes obstáculos estão em todas as áreas rurais da cidade onde a fiscalização por parte do Conselho Tutelar e dos agentes de educação são raras, por isso tornam-se comuns cenas de crianças viajando espremidas dentro de vans escolares que transportam mais da metade de sua capacidade, a prova está nas imagens divulgadas nesta semana em rede social e disponíveis no site do Jornal Ouvidor.

O drama enfrentado pelas crianças que vão à escola já está sendo anunciado em diversas reclamações desde o início do ano letivo, no último dia 15. As reivindicações se dividem em recadastramento do cartão escolar, motoristas de ônibus que se recusam a descer estradas de terra em dias de chuva, obrigando desta forma pais e alunos a andarem quilômetros de distância até o asfalto. 

A espera e esforço tornam-se em vão quando na maioria das vezes os ônibus ficam pelo meio do caminho, quando atolam ou quebram nos inúmeros buracos das estradas. Como ocorreu nesta semana no Bairro Barroca Funda quando Pâmela Cardozo esperava em baixo de uma árvore as seis da manhã de quarta-feira, 02, a van que buscaria seus quatro filhos para levá-los até a EMEF Teiji Kita, no Bairro Ouro Fino.

No início desta semana o vídeo de crianças saindo de dentro de uma van escolar, próximo ao Bairro Tevó, comoveu internautas que exigiram uma ação rápida da Prefeitura contra a Empresa de Transporte Municipal (PEM), responsável pelas frotas de ônibus escolar e municipal de Santa Isabel. Os filhos de Pâmela enfrentam essa mesma situação todos os dias para irem à escola: “Não dá nem para se mexer, vamos em pé e algumas outras crianças sentadas no chão”, relatam. Pâmela gastou R$80,00 para renovar na garagem da PEM a carteirinha escolar dos filhos.

 

Peregrinação para o futuro

Nesta semana outros dramas foram enfrentados por estudantes do Bairro 55, em que o ônibus escolar deixou os alunos próximo a um posto de gasolina na Rodovia Vereador Albino Rodrigues Neves, às 17h obrigando-os assim a percorrerem o trecho de estrada de terra a pé, muitos chegaram em casa já era noite. No Jaguari, crianças foram obrigadas a percorrerem o trajeto de estrada enlameada a pé durante dias. Aparecido Pedroso, morador do Bairro Pedra Branca lamenta que na quinta-feira, 03, estudantes do bairro foram obrigados a caminharem oito Km de estrada, pois o fretado escolar não conseguiu trafegar pela estrada devido as condições precárias dela.  

 

Crianças ao relento

Nesta semana durante a sessão de câmara o vereador Clebão do Posto (PR) pediu para que fosse alterado o horário do ônibus escolar do Bairro Pouso Alegre. De acordo com ele, as crianças acordam às cinco da manhã e chegam à escola por volta das 5h45: “Uma hora e quinze minutos antes da aula começar e dos professores chegarem, os estudantes já estão lá, ao relento. Quem vai nos garantir a segurança destas crianças?”, questionou o Parlamentar. Sua indicação foi aprovada por unanimidade e o pedido será encaminhado ao prefeito Pe. Gabriel Bina que fará a solicitação a Empresa.    

 

Medidas e defesas

O secretário de Segurança e Trânsito, Cap. Domingos Martins multou a empresa PEM em valor ainda não definido. De acordo com ele, a empresa tem por obrigação garantir um transporte seguro aos estudantes: “Toda vez que cenas como estas se repetirem tomaremos medidas de punição”, garantiu. 

A diretora administrativa da Empresa PEM, Maria Ângela Sanches disse que o problema com a van superlotado ocorreu somente no primeiro dia de aula: “Duas vans atendem o bairro do Tevó, mas naquele dia m dos nossos motoristas faltou e tivemos que transportar as crianças em uma só van, mas só foi naquele dia e o problema não se repetirá”, garantiu Ângela. Sobre os ônibus que não descem as estradas de terra em dias de chuva, Ângela disse que infelizmente isso se repetira enquanto chover, ou até que as estradas recebam as devidas manutenções pela Prefeitura.  

 

Procuradas através da assessoria de imprensa da Prefeitura, as secretarias de Educação e Serviços Municipais não se pronunciaram sobre a reportagem.