O CELULAR

por Luis Carlos Corrêa Leite

Crônicas Em 10/11/2017 19:11:26

Até o Papa Francisco, durante a audiência geral realizada nesta última quarta-feira na Praça São Pedro, reclamou do uso de telefones celulares durante as missas.E se o Papa perdeu a paciência, a questão deve ser objeto de reflexão. É certo que a vida moderna trouxe uma série de conquistas tecnológicas altamente benéficas para as pessoas, entre estas o telefone celular e os aplicativos à disposição dos usuários. 

Mas o que temos visto é que tantas facilidades dos meios digitais estão criando sérios problemas para as pessoas, desde a já comprovada dependência– que já se tornou um ramo da ciência médica, inclusive com clínicas para tratamento – até os efeitos do seu uso sobre as relações sociais. 

Existem empresas que estão proibindo seus empregados de utilizar celulares durante o expediente de trabalho, sem falar nos efeitos de tal uso nos acidentes de trânsito. Tem-se visto até motociclistas utilizando o WhatsApp com a moto em movimento! E aquela pessoa que interrompe o atendimento ou conversa para atender o telefone! São médicos, advogados e outros profissionais que atendem chamadas durante a consulta.Isso é falta de respeito com aquele que ficou horas na sala de espera aguardando ser atendido e pagou para tanto. Nada mais desagradável do que aquela pessoa que interrompe uma reunião para atender uma chamada ou para ver o já intimo “zap”, como se– e parece que é mesmo - o toque do aparelho fosse irresistível. E os grupos de WhatsApp?  Mesmo entre pessoas que deveriam ter maior discernimento, o que se vê são coisas inúteis, envio de informações e vídeos que pouco interessam. Nada mais chato do que pessoas que já pela manhã enviam mensagens de autoajuda, brincadeiras sobre futebol e outras inutilidades para pessoas que mal conhecem. Isso sem falar nas impropriedades e diálogos induzidos, que já se tornaram meios de prova em processos cíveis e criminais, ou pessoas que estão sendo condenadas a pagar indenizações por repassar informações difamatórias e outras que perderam empregos importantes em razão de divulgação de fatos inadequados. 

Portanto, parece ser medida de educação, respeito ao próximo e até mesmo cautela a prática do exercício da moderação no uso de tais equipamentos, que sem dúvida vieram para ficar, mas que reclamam também, por parte dos usuários, a adoção de regras de educação e respeito às demais pessoas.