O arquétipo da sombra e seu poder sobre nós

por Camila Britto

Crônicas Em 04/10/2019 22:37:53

Não somos tão bons como imaginamos ou como gostaríamos de ser.

Essa é uma das verdades amargas que custam ser digeridas, e que, às vezes, leva anos de terapia e de autoconhecimento para ser aceita.

Quando pensamos nos aspectos ruins presentes em nós mesmos, estamos pensando no arquétipo da sombra, e, querendo ou não, todos o possuímos.

O que pode ser parte de nossa sombra?

A inveja, os pensamentos negativos, o ódio, o desejo de vingança, o prazer ao ver o outro se prejudicar, e todas as outras características que são reprimidas por nós mesmos.

Porém, esse aspecto sombrio presente em cada um de nós não é de nenhuma maneira algo inútil.

Aliás, aqui está o interessante paradoxo: toda luz precisa da escuridão para brilhar; há sempre necessidade de um contraponto ruim para entendermos o que é bom.

Assim, só podemos nos fortalecer a medida que reconhecemos os aspectos sombrios de nós mesmos e procuramos lidar com eles.

Só dessa forma é possível alterar o que não é desejável em si mesmo, pois ficamos diante de outro paradoxo, brilhantemente exposto por Carl Rogers: “o (...) curioso é que quando eu me aceito como eu sou, então eu mudo”.

Só podemos alterar algo em nós, quando nos aceitamos profundamente como somos.

Você deve saber que, a cura da picada de uma cobra está no soro extraído de seu próprio veneno. É assim também que acontece com nosso aspecto sombrio.

Nossa sombra pode ser por vezes assustadora, mas, assim como a realidade, é extremamente necessária para nosso crescimento. Não há como e porquê fugir, ela estará presente. Resta a você decidir se isso será bom ou ruim.