Não era amor...

por Camila Britto

Crônicas Em 05/04/2019 21:45:19

Começou bonita como toda história. Continuou bonita por algum tempo, até que pequenas coisas deram novo rumo ao romance que você tinha - mesmo sem perceber - idealizado. Nada que fosse digno de muita preocupação. Até aí, nada que realmente te assustasse. Foi tão rápido e envolvente, que não deu pra notar que o conto de fadas do início estava virando um pesadelo. Não é de um dia para o outro. Aos poucos, você se distancia de si mesma, de sua energia, dos seus desejos. Vai deixando pelo caminho tudo o que te fazia ser você, para se tornar uma extensão do outro. A solidão a dois era uma constante. O sentimento de ser insuficiente também. Insuficientemente elegante, insuficientemente interessante, insuficientemente capaz de atrair a atenção do outro. Com o tempo, amigos se distanciaram, suas prioridades não eram mais suas, a vida parou e girou em torno de uma única pessoa: o ser amado. 

Nessa relação, só uma coisa era sua: a culpa.

Mas como deixar tudo isso pra trás? Desistir de vocês dois, seria desistir do amor. No fundo, algo te dizia que, juntando todos os seus esforços, e com um pouco mais de tempo, as coisas se ajeitariam, a mágica aconteceria.

Realmente, foi necessário algum tempo. E então você percebeu que as coisas não iriam mudar. 

E que, simplesmente, não era amor. Não era amor. Era insegurança disfarçada, autoestima despedaçada, culpa exacerbada. A maior queda de sua vida: cair em si.

Hoje, você sabe que não desistiu do amor. Desistiu de se diminuir pra tentar se encaixar no padrão alheio, assumiu seu próprio tamanho, se encorajou e vive a própria vida. Só você sabe o quanto doeu. E ainda dói. Mas escolher você mesma (o) tem um preço que vale a pena pagar. Pode não ter sido um final feliz, mas foi um final necessário para você se permitir ser feliz.