Mudança de gestão preocupa vereadores

Vereadores cobram ações e respostas sobre ao atendimento ofertado na Maternidade e nos Pronto Atendimentos Central e Barreto. IDGT se compromete, diz que a mudança de gestão não afetará o atendimento

Saúde Em 13/09/2019 22:45:33

por Érica Alcântara

Na quinta-feira, dia 12/09, os vereadores de Arujá promoveram um encontro na Casa de Leis para debater a situação da Saúde no município. “É frequente a falta de médico no PA Central e nós não sabemos qual providência é tomada pela gestão para solucionar o problema”, lastimou Rogério Gonçalves Pereira – PSD.

Pelo período contratual de 12 meses, desde o dia 17 de outubro de 2018, o Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social – IDGT é responsável pela gestão dos Pronto Atendimentos Municipais, Central e Barreto, e também pela Maternidade Dalila Ferreira Barbosa. De acordo com o último aditamento de reequilíbrio econômico, assinado em julho de 2019, o IDGT recebe do município o valor mensal de R$2.434.521,35.

A representante do IDGT –, Sônia Márcia Almeida, disse que o município de Arujá é possivelmente o único na região que desconta no pagamento dos médicos as horas e/ou dias de atraso/falta. 

“Dentro das unidades de saúde pelo menos um funcionário é responsável por alertar a administração sobre os possíveis atrasos. Sabemos que alguns são injustificáveis, mas outros são imprevistos das quais qualquer pessoa está sujeita”, disse.

Márcia garante que as unidades não ficam sem médico. “Se no PA Central o médico atrasa, temos pediatra e anestesista na Maternidade que em caso de urgência são acionados. Ocorre que muitos pacientes na fila de espera não se encaixam na triagem como urgência e podem aguardar conforme protocolo”, explicou.

Despedida da gestão

Rogério destacou a preocupação dos vereadores em relação a troca de gestão. O contrato com o IDGT está acabando e, no passado, a troca de gestão gerou graves falhas no atendimento oferecido à população.

Márcia disse que negociou com os representantes dos mais de 200 funcionários das unidades de saúde e todos receberão aviso prévio e, até que encerre definitivamente as atividades do Instituto, passarão a receber como RPA (Recibo de Prestador Autônomo). “Todos concordaram e vamos administrar as horas para manter o atendimento”, disse.

Denúncias e Requerimentos

Com a resposta de um requerimento em mãos, Rogério reclamou que a Secretaria de Saúde se esquiva em dar respostas claras e objetivas. “Eu não peço para ver prontuário de paciente, sei que é sigiloso e protegido por lei, mas se denuncio que um médico do PA é acusado de trabalhar embriagado por diversos pacientes que procuraram a ajuda dos vereadores, espero que a secretaria ao menos me diga o que fez para resolver o problema”, destacou o Parlamentar.

Dr. Martino Piatto, co-gestor do contrato entre a Prefeitura de Arujá e o IDGT, disse que o Conselho de Ética avalia cada denúncia e o médico acusado de embriaguez estava sob a análise de uma sindicância da comissão. “Não há provas do uso de bebidas alcoólicas durante o expediente, mas esclareço que o mesmo já foi demitido por outra razão, por tratar a mãe de um bebezinho com grosseria”, explicou.  

Rogério solicitou que a Prefeitura, ou o IDGT, ao receber as reclamações dos munícipes garantam que além de tomar providências, comunique a população que medidas adota para resolver os problemas. “As pessoas precisam ter retorno, saber que foram ouvidas, é direito delas”, disse.

Arujá vira referência regional

O contrato entre a Prefeitura de Arujá e o IDGT poderia ser prorrogado por mais 12 meses, até o limite de 60 meses. “Mas os custos aumentam a cada dia, insumos que deveriam cobrir 30 dias de trabalho, hoje acabam em 15 dias”, afirma Márcia. Apesar do último reajuste de 7,7%, o valor de mais de R$29 milhões/ano, aparentemente, não é o suficiente para manter o IDGT a frente dos Pronto Atendimentos e Maternidade de Arujá.

De acordo com a planilha mensal de prestação de contas do IDGT, em agosto havia a estimativa de realizar até 5.690 atendimentos no PA Central, mas foram realizados 11.615. Na Maternidade a estimativa era realizar 250 exames de análises clínicas, mas foram realizados 1.233, ou seja, 393% a mais que o esperado. 

A Secretaria de Saúde, Carmen de Araújo, informou que já está no site da Prefeitura Municipal a licitação que definirá a nova gestão destas unidades de Saúde. 

Participaram ativamente do encontro os vereadores Abel Larini (PR), Cristiane Araújo (PSD), Edimar do Rosário (PRB) e Paulo Henrique Maiolino. Também marcaram presença Renato Caroba (PT) e Edvaldo de Oliveira (PSC).