Morte de Macaco deixa Região em Alerta

Febre Amarela é a principal suspeita da causa da morte de um macaco em Santa Isabel ocorrida no final de semana

Saúde Em 10/11/2017 19:03:34

por Bruno Martins

O aparecimento de um macaco morto em Santa Isabel deixou todos os municípios próximos em alerta sobre a suspeita de que possivelmente a febre amarela esteja na região. Considerada uma doença infecciosa grave, transmitida por vetores como o Aedes Aegypti, a febre amarela matou mais de 200 pessoas no Brasil neste ano. Secretarias de Saúde da região começam a se mobilizar e orientar a população sobre as formas de prevenção da doença. 

Só um laudo do Instituto Adolfo Lutz em São Paulo irá comprovar qual foi a causa da morte de do macaco da espécie Bugio no Bairro Cachoeira, em Santa Isabel encontrado morto no domingo, 05/11. O aparecimento de macacos mortos não é só um fato exclusivo de Santa Isabel, nas últimas semanas, em São Paulo foram registradas a morte de sete macacos, o que obrigou inclusive a Prefeitura a fechar quatro grandes parques da Capital: Jardim Zoológico, Horto Florestal, Anhanguera e Cantareira. Só no Horto, por exemplo, foram encontrados cinco macacos Bugios mortos, destes, um morreu de febre amarela. 

Ações tomadas em Santa Isabel

A secretaria de Saúde de Santa Isabel, através de seu Departamento de Endemias,  realizou desde domingo ações de prevenção no Bairro Cachoeira, como rastreamento do local para investigação detalhada da presença de Primatas Não Humano (PNH) e mosquitos transmissores da doença: “Após o resultado da causa da morte aguardaremos pelo protocolo de conduta a ser tomado pelo Ministério da Saúde e assim realizaremos as demais ações necessárias”, disse o secretário de Saúde de Santa Isabel, Cleber Vinicius Kerchnner. 

Febre Amarela em Arujá

Não foi só por conta do macaco encontrado morto em Santa Isabel, que Arujá resolveu mobilizar-se contra a doença. Na semana passada, durante o feriado, surgiu um boato na cidade de que havia um macaco morto na Av. Renova, centro de Arujá, mas de acordo com a secretaria de Saúde nada foi encontrado no local pela equipe de Vigilância em Saúde: “Tão pouco foram feitos chamados ou notificações à Saúde sobre o fato”, informou.

Arujá não possui casos confirmados nem suspeitos de febre amarela. A cidade recebeu do Ministério da Saúde 3,9 mil doses da vacina e imunizou de janeiro a setembro deste ano 1.880 pessoas: “Porém a vacina está disponível apenas as pessoas que irão viajar para as áreas consideradas de risco”, conclui.

Igaratá contra a febre amarela

A notícia de que um macaco foi encontrado morto no Bairro Boa Vista em Igaratá, mobilizou os moradores a procurarem a Saúde do município para se vacinarem. No entanto o setor de Zoonoses da cidade, garante que nenhum macaco foi encontrado morto no município e que desde o início do ano a Prefeitura tem realizado ações de prevenção da doença, mesmo sem ter registrado nenhum caso suspeito de febre amarela em Igaratá.

Diferente dos demais municípios onde não há casos confirmados ou suspeitos da doença, Igaratá está conseguindo ofertar vacina contra a febre amarela para todos os seus moradores. De acordo com a secretaria de Saúde, a cidade já conseguiu vacinar cinco mil dos 9.349 moradores, segundo o IBGE. 

De onde veio e o que é a febre amarela?

A febre amarela é uma doença de origem africana. Um dos primeiros relatos de epidemia desta doença data-se do século XVII, no ano de 1648 no México. A doença chegou ao Brasil no mesmo período, em 1685, Pernambuco registrou os primeiros casos da doença.  

Seja ela silvestre ou urbana, o vírus causador da febre amarela, é o mesmo. Nas regiões silvestres a transmissão ocorre pelos mosquitos “Haemagogus” e o “Sabethes” que vivem nas matas e na beira de rios. São estes mosquitos que ao picarem macacos contaminados, propagam o vírus ao picarem humanos presentes nestas áreas. Já nas regiões urbanas a transmissão é feita de um humano contaminado para o outro, através do sangue absorvido pelo “Aedes Aegypti” que ao picar uma pessoa contaminada, transmite essa doença para outra pessoa sadia, com isso inicia-se o ciclo urbano da doença. O Aedes transmite ainda (dengue, Zika Vírus e Chikungunya).

Em 24 anos (entre 1980 a 2004) o Brasil confirmou 662 casos de febre amarela silvestre, deste total foram 339 óbitos. De 2004 até 2016, foram registrados apenas casos isolados da doença, nada que pudesse considerar estado de alerta ou epidemia, no entanto de dezembro de 2016 até setembro de 2017, o MS considerou que o país entrou em surto após confirmar 777 casos de febre amarela e 261 óbitos em decorrência da doença.

Vacina e meios de prevenção da doença

Existe sim vacina para prevenir contra a febre amarela, a indicação é para crianças a partir dos 9 meses e adultos com menos de 60 anos. Acima dos 60 anos, o adulto só pode tomar a vacina se houver indicação médica, a mesma recomendação serve para crianças menores de 6 meses. Nas crianças a primeira dose é dada aos 9 meses, devendo ser repetida aos 4 anos de idade. Nos adultos também são duas doses da vacina, com intervalo de 10 anos. A vacina não é recomendável a gestantes, se não houver uma avaliação médica. 

O mosquito Aedes Aegypti só se prolifera em locais onde há água parada, por isso ele é tão presente nas áreas urbanas, onde constantemente ocorrem descartes irregulares de lixo e entulho. Por isso é recomendável que a população faça sua parte eliminando todo e qualquer criadouro do mosquito. “A Saúde continuará mantendo as ações de prevenção, como o controle de vetor, capacitação de seus profissionais e intensificação das ações de vigilância de epizootias”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

 

Em 2018, o MS incluirá a vacina da febre amarela no calendário de vacinação para as crianças a partir dos 9 meses.