MEU PIRÃO PRIMEIRO

por LUIS CARLOS CORRÊA LEITE

Crônicas Em 09/11/2018 23:11:49

Com o resultado da eleição presidencial, renovam-se as esperanças de dias melhores para o povo. Mas o presidente eleito Jair Bolsonaro não tem um quadro generoso diante de si. Primeiro, a promessa de que irá formar um governo à margem dos interesses dos políticos é um sonho impossível de ser realizado. Se o presidente eleito pretende implantar o mínimo das reformas necessárias para a continuidade do atual quadro econômico terá, sim, de entregar cargos e verbas aos políticos. Além disso, vai se defrontar com uma elite egoísta, composta pelos que mais ganham dos cofres do estado, que não pensa no bem estar da nação. 

Exemplo disso tivemos na última quarta-feira, quando o Senado Federal - apesar da posição contrária de Bolsonaro, mas pressionado pelos ministros do Supremo Tribunal - aprovou um reajuste para os membros do poder judiciário, num momento em que a nação enfrenta pela quinta vez um déficit milionário de orçamento. 

E o pior é que esse aumento tem o que se chama de efeito cascata, ou seja, aumentado o teto de remuneração dos subsídios dos ministros do Supremo Tribunal Federal, isso se reflete nos salários de juízes e outros agentes públicos de todo o país. Inclusive nos salários que são pagos por estados da federação que já estão falidos há muito tempo, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul. Agora, o projeto de lei irá para a aprovação do presidente Temer. Sim, um presidente com o rabo mais do que amarrado com a justiça deverá decidir se concede ou não o aumento para os juízes. 

Agora, é esperar o outro efeito cascata, que não é o legal, mas o político. Logo após a posse presidencial, esse aumento cairá como água no moinho da esquerda, dominadora dos sindicatos. A reivindicação por aumentos irá se espalhar pelas demais classes dos funcionários públicos – que não têm qualquer aumento previsto -  e também para os trabalhadores do setor privado. E os governantes não terão outra saída senão conceder reajustes. Com aumento da dívida pública, do desequilíbrio do orçamento, da crise social e do desemprego.

Mas, como diz o ditado, se a farinha é pouca, meu pirão primeiro.