Memórias de Santa Isabel

Homenagem ao Vereador Sebastião Claudiano

Cidades Em 24/11/2017 22:57:54

Há dois meses o advogado Isaías Bueno aceitou participar de um projeto único do Jornal Ouvidor, registrar a história de Santa Isabel através da oralidade. Suas memórias remontam tempos que para a maioria das crianças parece ser mais distante do realmente o são. Nesta semana, quando comemoramos no Brasil o Dia da Consciência Negra, inspirado neste tema o projeto presta uma homenagem à Sebastião Claudiano, um filho de escravos que se tornou o primeiro vereador e delegado negro da cidade. 

No estúdio, Isaías contou a história e na casa da filha de Sebastião, Margarida Claudiano, 88 anos, compartilhou lembranças. “Meu pai era tudo para mim”, disse ela com notória timidez. O bate papo foi no coração da principal Avenida de Santa Isabel, a República, numa casa amarela, destas típicas de interior com tacos de madeira e cachorros que cuidam do lar e das pessoas e lá no fundo um quintal cheio de ervas e flores, inspiram a conversa e o gosto do café.

Sebastião nasceu em Igaratá, em 1880, filho de escravos durante a Lei do Ventre Livre. Foi adotado e recebeu educação para ser o que desejou ser, artesão, músico, contador de histórias e político. Produzia e reformava alambiques para a vasta produção da pinguinha isabelense. Os tachos de produção de farinha também eram sua especialidade. 

Isaías recorda que ele trabalhava na antiga Rua do Totó (atual Av. Manoel Ferraz de Campos Sales), na calçada larga, onde podia fazer canecas com as latas que a população levava para ele, pois só Sebastião as produzia com primor.

Membro do Partido Republicano Paulista – PRP, Claudiano foi vereador, delegado e por quatro ou cinco meses o primeiro negro a assumir a Prefeitura de Santa Isabel. O neto, batizado com o mesmo nome do avô, fez uma extensa pesquisa sobre a vida de Sebastião Claudiano e a reportagem está digitalizando para disponibilizar em breve no site do Jornal Ouvidor.

Estavam no encontro na casa de Margarida: o neto Sebastião Claudiano, 69 anos; Bartemira Claudiano, 71; Maria Helena Barbosa, 72, e Isaías Bueno, 71.

Veja reportagem no canal do Youtube do Ouvidor.