Márcio nega envolvimento com o Crime Organizado

O vice-prefeito de Arujá Márcio Oliveira prestou depoimento na tarde de ontem, 11/09, na Câmara Municipal. Suspeito de ser um dos líderes da facção criminosa, ele garante que é inocente

Política Em 11/09/2020 23:09:10

por Bruno Martins 

Há exatos 43 dias após a sua prisão, o vice-prefeito de Arujá, Marcio Oliveira falou pela primeira vez sobre os escândalos que envolvem o seu nome em um possível envolvimento criminoso com uma Organização Social (OS), contratada pela prefeitura e supostamente comandada pelo crime organizado. Márcio foi preso no último dia 30 de julho sob a acusação de ter sido, o principal elo de ligação entre os criminosos e a Prefeitura. 

O vice foi ouvido ontem na Câmara pelos vereadores membros da Comissão Processante e reafirmou categoricamente sua inocência garantindo não ter conhecimento algum dos contratos que o Executivo fechou com a empresa investigada pelo 4º DP de Guarulhos em operação denominada “Soldi Sporchi” (Dinheiro Sujo). 

Quando questionado se conhecia o traficante Anderson Lacerda Pereira, apontado pelos investigadores, como chefe da quadrilha, Marcio garantiu que apenas tinha vinculo profissional: “Em 2011, eu fui procurado pela mãe dele para ser advogado dele em um processo em que ele estava preso, conseguimos a soltura e depois até advoguei em mais de 30 processos trabalhistas para ele, mas depois que entrei na vida pública e com os compromissos acabei deixando estes trabalhos”, disse. 

Márcio negou que tenha intermediado a reunião entre Anderson e o prefeito José Luiz Monteiro e que tão pouco o Anderson teria investido qualquer dinheiro na campanha deles para a prefeitura em 2016: “Ele não foi colaborador da nossa campanha, pois em 2016, ele estava preso, portanto não tinha como colaborar com nada”, disse.

O vice-prefeito minimizou o fato de conhecer Anderson Lacerda e Gléucio Barbosa, proprietário da empresa Center Leste, que era responsável pela coleta de lixo da cidade. Gléucio foi apontado pela polícia como integrante do esquema de lavagem de dinheiro: “Conheço Gléucio como cidadão da cidade, aliás, metade da cidade o conhece”, afirmou novamente ao acrescentar: “Gléucio é amigo de muitos anos do prefeito, com quem jogava bola todos os domingos”, disse. 

Sobre sua prisão, Márcio classificou como equivocada e arbitrária e ainda chamou o juiz que deferiu sobre sua prisão de “Incompetente”. “Duas pessoas que estavam presas tiveram a suas prisões temporárias renovadas e para se safarem disseram que o elo de ligação entre Anderson e a atual gestão era eu, pois bem agora terão que provar. O Juiz entendeu que para não atrapalhar nas investigações, deveria me prender temporariamente. Uma prisão completamente ilegal uma vez que sempre me coloquei a disposição da justiça para qualquer esclarecimento”, disse.   

Apesar de ser o vice-prefeito eleito, Márcio disse ser considerado oposição de sua própria gestão. “É um tremendo equivoco quando relacionam as irregularidades dessa gestão comigo, pois eu não administro a cidade, meu cargo é de expectativa. Sempre fui tratado como adversário político pela atual gestão”, ressaltou. 

Ainda que de expectativa, diferente dos demais vice-prefeitos da região, Marcio Oliveira mantinha um gabinete pessoal dentro da prefeitura, onde fazia despachos que, aparentemente, só serão revelados após a conclusão das investigações da Policia Civil de Guarulhos, pois todos os documentos que eram armazenados em seu gabinete, foram recolhidos na 2ª fase da Operação “Soldi Sporchi”.

Para defesa, Comissão tem interesses políticos 

O Prefeito José Luiz Monteiro deveria ter comparecido à oitiva, mas por orientação de sua equipe de defesa não foi. Para o advogado do prefeito, Dr. Matheus Valério, José Luiz tem o direito de saber quais são as acusações contra ele e de produzir todas as provas para sustentar sua absolvição.

“Há dois meses protocolamos direto na Câmara o pedido para que fossem produzidas as provas necessárias para refutar a acusação contra o Prefeito, mas na quinta-feira, um dia antes dele ser interrogado, depois do expediente da Câmara, fui informado de que a Comissão não obteve as provas que são de direito do meu cliente e ainda no mesmo dia da oitiva circulou na cidade um jornal que já dizia que meu cliente seria cassado antes mesmo de ser julgado e ter sido produzida qualquer prova. Em entrevista a este jornal um vereador, que não se identificou, disse estar com ‘sangue no olho’ para eliminar meu cliente da política de Arujá. Isso não é processo, é vingança, é caça às bruxas”, disse. 

Para a defesa, tal depoimento mostra que a comissão da Câmara não tem causa jurídica, mas sim política. “Com tal ausência de provas revela que se trata de um jogo de cartas marcadas”, disse a defesa em ofício enviado a Presidência da Comissão.