Mais uma morte suspeita de H1N1

Arujaense morre em Santa Isabel com suspeita de H1N1. Ainda não foi confirmado se o morador de Arujá que faleceu na Santa Casa de Santa Isabel esta semana tinha de fato H1N1, a família acredita que foi uma fatalidade, mas revela o tratamento desumano que o idoso recebeu no PS arujaense

Cidades Saúde Em 10/08/2013 12:16:44

Reportagem: Érica Alcântara

 

Na quarta-feira, dia 07, o morador de Arujá J.M., 75 anos, faleceu na Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabel com suspeita de H1N1. Após seis dias de internação na emergência do Pronto Atendimento de Arujá “onde a porta está sempre aberta e todos os pacientes transitam livremente”, revela M. a filha de J., o idoso foi transferido para Santa Isabel no dia 06/08 e deu entrada já em estado grave e avançado de insuficiência respiratória. “Depois que ameacei chamar a polícia se não dessem ao meu pai um tratamento mais humano, o trouxeram para Santa Isabel para ter acesso a uma UTI”, lamenta M.

Na Santa Casa de Santa Isabel, a família diz que J. recebeu o atendimento esperado, foram realizados diversos exames laboratoriais e radiográficos, e iniciado o tratamento com o medicamento Tamiflu, que combate a H1N1 e demais medicamentos para conter a infecção pulmonar.

“Meu pai morreu de pneumonia, ele recebeu atenção de todas as enfermeiras nos locais onde ficou internado e até por elas prefiro pensar que não houve negligência, mas a situação do atendimento é degradante, cheguei a filmar a porta da sala de emergência aberta, tanto que um dia cheguei para vê-lo e havia um bêbado ao seu lado, a partir daí foi uma luta, eu mesma ficava de plantão”, M. recorda com pesar, acrescentando: “meu pai foi entubado e por ele continuavam passando todos os pacientes em casos de emergência que chegavam no Pronto Atendimento”, revela.

Para M., um dos fatores que dificulta a família entender o que está acontecendo com seus entes queridos que adoecem é que, no PA de Arujá, os médicos trabalham em sistema de plantão “e cada hora um médico diz uma coisa diferente”, lamenta.

Sobre a possibilidade de J. ter adoecido em alguma viagem, M. conta que seu pai raramente saía de casa, “ele era diabético, não gostava de passear”, conta.

Em Santa Isabel, a diretora do Departamento de Higiene e Proteção a Saúde, Dra. Cristiane Mota da Silva, informou que até ontem, dia 09/08, o paciente não tinha sido inscrito no “sistema do Instituto Adolfo Lutz, para onde são enviadas as amostras de secreção respiratória para serem realizados os exames dos pacientes com suspeita de H1N1”, explicou acrescentando: “solicitamos a informação do primeiro atendimento realizado no paciente, mas infelizmente não houve tempo suficiente para Santa Isabel realizar este procedimento indicado pelo Ministério da Saúde, pois o paciente veio a falecer”, finaliza.

Dra. Cristiane destaca que em Santa Isabel hoje, “não há nenhum caso de suspeita de H1N1”.

De acordo com a secretaria de Saúde de Arujá, a Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim”) entidade responsável pela administração do Pronto Atendimento Municipal afirma que “Durante a permanência do paciente  no Pronto Atendimento de Arujá foi realizado tratamento médico com condutas terapêuticas baseadas em protocolos médicos”.

A secretaria de Saúde destaca que “irá apurar se houve qualquer tipo de falha no atendimento prestado e, em caso afirmativo, tomará as providências cabíveis”, finaliza.