Mais de 4 mil mulheres foram mortas em 2017

Na semana Internacional da Mulher uma pesquisa indica que só em 2017, 4.473 mulheres foram mortas violentamente no Brasil. Um aumento de 6,5% em relação ao mesmo período de 2016

Segurança Pública Em 09/03/2018 11:51:44

Reportagem: Bruno Martins

Nesta semana uma pesquisa feita em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade São Paulo (USP), Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Portal de Notícias G1 manchou de vermelho sangue o Dia Internacional da Mulher, celebrado na última quinta-feira. Os dados da pesquisa indicam que só em 2017, 4.473 mulheres foram mortas no Brasil, em uma média de 12 assassinatos por dia. Dentre esses casos é possível encontrar histórias como a da isabelense Elisânia da Conceição Leal, morta aos 40 anos, por César Aparecido Soares, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal. 

Na quarta-feira, 07/03, completou nove meses da morte de Elisânia, a cuidadora de idosos, era solteira e tinha um relacionamento com César, ele na época 22 anos, casado e no relacionamento oficial, sua esposa esperava um filho. A gravidez de Elisânia foi o que motivou o assassino a cometer o crime, uma vez que ela se recusava a cometer um aborto.

Com os olhos lacrimejantes Aline Leal, 32, irmã da vítima lembra como foi o dia e a forma, que a família recebeu a notícia da fatalidade: “Os jornais souberam antes de nós, minha família assistia televisão quando de repente apareceu uma notícia ‘Mulher é morta pelo amante’ e a foto de minha irmã estampada na tela. Foi horrível”, recorda. 

Dos totais de assassinatos cometidos contra mulheres em 2017,

no Brasil, 946 casos foram feminicídio. 

A família conseguiu acesso as mensagens de texto no celular de Elisânia trocadas com César. Em algumas delas ele dizia que já tinha entrado em contato com um médico que iria fazer o aborto: “Infelizmente só descobrimos a gravidez após a morte dela, ela já estava com dois meses de gestação e não queria fazer o aborto, disse a ele que se ele não quisesse assumir tudo bem, mas ela não iria esconder do filho quem era o seu pai, por isso ele a matou”, diz Aline. 

De acordo com a família, em seu depoimento na Delegacia, César confessou que já planejava há uma semana matar Elisânia: “Ele quis salvar o casamento dele, mas para isso matou o próprio filho”, desabafa Aline e completa: “Por mais que ele passe 10 ou 15 anos na cadeia ainda será pouco, pois ele sairá de lá na flor da idade, vai ser ingressado de novo na sociedade, vai poder abraçar os pais dele, ver o rosto do filho, mas e os meus pais? E os meus sobrinhos? A minha irmã não volta mais para vê-los nem abraçar os filhos dela”. 

Elisânia deixou dois filhos, hoje com 22 e 19 anos.  Sua morte foi registrada na Delegacia de Polícia de Santa Isabel como homicídio qualificado e feminicídio (homicídio contra a mulher). De acordo com o Delegado de Polícia de Santa Isabel, Dr. Carlos Alberto de Oliveira, apesar de o caso ainda não ter sido julgado, César permanece preso preventivamente desde o dia do crime: “Neste caso específico a justiça avalia vários itens, inclusive a possibilidade dele ser levado a um júri popular. Geralmente, os casos considerados de maior crueldade, que atingem a moralidade e a essência da convivência em sociedade como um todo é que são destinados a este tipo de julgamento”, diz Dr. Carlos. 

Desde o caso de Elisânia, ocorrido em junho do ano passado, até esta semana, Santa Isabel registrou três casos de feminicídio. Dados da Delegacia da cidade indicam que em 2017, foram registrados 111 casos de violência doméstica em Santa Isabel, deste total 74 inquéritos foram instaurados. Nos três primeiros meses deste ano, já foram registrados 19 casos de violência contra mulher, e 15 inquéritos já estão instaurados. 

Plantão ajuda mulheres vítimas de violência 

A secretaria de Promoção Social de Santa Isabel oferece Plantão Psicossocial a mulheres vítimas de violência. De acordo com a psicóloga Michele Ribeiro, coordenadora do projeto, o plantão tem como objetivo oferecer um espaço para que as mulheres se sintam acolhidas: “Buscamos através de técnicas e escutas qualificadas, conhecer o perfil destas vítimas e conjuntamente desenvolver ações pontuais, respeitando cada caso em sua individualidade a fim de estimular essas mulheres a se fortalecerem e superarem tal situação”, explica.

Os atendimentos acontecem segundas e quartas-feiras, das 8h às 14h, na Secretaria de Promoção Social, Rua José Basílio de Alvarenga, Nº1000, Bairro Jd. Monte Serrat e no CRAS do Bairro Jd. Eldorado, Rua Dirce de Souza Machado, Nº400. Mais informações podem ser obtidas no (11) 4656-2075.