Lua de mel, Natal e ano novo sem água

Recém casados que moram em Santa Isabel passaram as festas de fim de ano e até a própria lua de mel sem abastecimento de água

Economia & Negócios Cidades Saúde Em 13/01/2017 22:37:45

Reportagem: Érica Alcântara

 

No final de 2016, para ter mais tranquilidade o casal Ildefonso Rodrigues C. Neto, 41, e Adriana Aparecida Abreu, 37, decidiram mudar com os dois filhos para a Rua Recanto Feliz, no Bairro Cruzeiro, em Santa Isabel. Contudo, desde que lá chegaram enfrentam a dura realidade de conviver com a falta de abastecimento de água. Por outro lado, a Sabesp informa que passou por problemas técnicos durante as festas de final de ano, mas já normalizou o abastecimento.

Eles se conheceram na Igreja e contam que Deus preparou um para o outro. Ildefonso e Adriana se casaram em dezembro do ano passado e juntos enfrentaram o primeiro Natal e Ano Novo, e até a lua de mel, sem uma gota de água na pia. “Como preparar uma Ceia, quando precisamos racionar até os baldes de água usados para a descarga do banheiro?”, questiona Adriana.

Quando a reportagem chegou à casa deles, no final da tarde de quarta-feira, dia 11, as crianças tomavam banho de chuva, enquanto os baldes se enchiam com as bicas do telhado. A mãe possui 5% de visão, percebe apenas penumbras, mas acompanhava de perto a alegria de Gabriel e Priscila, de oito e dez anos. “Mas durante as festas não tinha chuva no final da tarde, foram cerca de 14 dias muito difíceis”, conta Ildefonso, acrescentando: “Ainda hoje, cada vez que ligamos na Sabesp recebemos uma resposta diferente, um novo número de protocolo e outro prazo para a volta do abastecimento”.

Agravante da situação, Ildefonso mostra o calcanhar arroxeado, com marcas de ferida dos problemas de circulação sanguínea que tem na perna. Desde que começou a faltar água, ele afirma que não consegue trocar os curativos com a frequência recomendada pelos médicos, pois não há água limpa para lavar a área machucada.

A família possui caixa d’água de 250 litros, mas hoje recolhe a água da chuva, armazenando em baldes e tanquinhos para lavar a louça e minimizar o odor forte do banheiro. Para beber, eles recolhem água das bicas da cidade. Não há telas de proteção nos baldes e a água parada fica exposta, colocando a todos sob o risco eminente da proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor de doenças como a dengue, chikungunya e zika vírus.

Os vizinhos também reclamam e contam que são obrigados a recolher água da chuva do mesmo modo. Outro morador, Luiz Vieira da Silva Lucena, até as 23h12 de quinta-feira, reclamava da falta de água. 

Sobre os problemas da falta de água em Santa Isabel, a Sabesp informa que o abastecimento está normalizado. “A ocorrência foi causada por problemas eletromecânicos na captação de água no dia 30 de dezembro que afetaram os bairros atendidos pela Estação de Tratamento de Água II”. 

A companhia se coloca à disposição da população através da Central de Atendimento Telefônico Gratuita pelo telefone 195 ou 0800 055 0195, que atende 24 horas. A empresa recomenda aos moradores que tenham caixas d’água nos imóveis com capacidade equivalente ao consumo de, no mínimo, 24 horas. Este equipamento evita desconfortos aos moradores da residência mesmo durante manutenções emergenciais.  Em relação a desperdícios, a companhia esclarece que atua por meio de campanhas de conscientização e não aplica multas.