Lição externa

por Roberto Drumond

Crônicas Em 07/08/2020 22:53:43

O Brasil atinge (ou ultrapassa) nesse fim de semana as 100 mil mortes provocadas pela covid-19. E o governo do Estado de São Paulo adia a volta às aulas para o dia 7 de outubro.

Tal decisão deveria ser baseada na experiência em outros países que já passaram por situações semelhantes mortes. Leio no UOL a experiência de uma escola em Israel. Quando o país pensava que estava vendo uma queda na curva de contágio do Coronavírus uma escola em Jerusalém foi confirmada como foco de um dos piores surtos da doença naquele país.

Em oito dias de funcionamento, a confirmação de dois casos da doença contaminou 153 estudantes e 25 trabalhadores de ensino, em um universo de 1.190 alunos e 162 profissionais. Contando parentes e amigos dessas pessoas fora da escola, o número de casos chegou a 260. 

O episódio mudou na política de saúde de Israel para lidar com a covid-19 e deveria servir de exemplo para nossas autoridades. Claro que ainda pode haver mudanças nas datas previstas pelo Estado, mas a julgar pela expectativa gerada pelo Governo, não me parece que estejam sintonizados na experiência de outros países.

Temos de considerar que, diferente do Brasil, as escolas israelitas possuem muito mais recursos que as nossas escolas públicas. Possivelmente o ar condicionado seja um dos equipamentos utilizados para dar conforto aos estudantes naquele país assolado por temperaturas de deserto. Mas entre nós, a superlotação das salas de aula, mesmo que com alternância de turmas e as condições de higiene que bem sabemos, pouco depende de professores e funcionários, pode ser um adubo na expansão da doença entre os estudantes e desses, para as suas famílias.

A campanha que está sendo conduzida por algumas organizações de cancelar o retorno às aulas ainda em 2020 deve ser considerada e servir de solução inclusive gerando oportunidade para o Estado reformar e recuperar as instalações escolares, uma medida tão necessária como a vacina contra a covid-19.