Jogo da Vida

Por Matheus Valério Barbosa

Colunas & Opiniões Em 20/04/2017 18:00:00

JOGO DA VIDA

 

Enquanto buscava ideias sobre o que escrever neste espaço, tomei conhecimento de um fato que, inicialmente, achei que fosse uma brincadeira de mau gosto. Infelizmente, apurando melhor, verifiquei que se trata de algo real, embora pareça surreal à toda pessoa com o mínimo de bom senso, o tal jogo da “baleia azul”.

Surgido aparentemente na Rússia, consiste basicamente em o jogador cumprir cinquenta tarefas que lhe são transmitidas por um “curador” totalmente anônimo. Dentre estas tarefas consta automutilação, agressões gratuitas e a última delas que é o jogador tirar a própria vida. No país do leste europeu, as autoridades já contabilizam dezenas de mortes de jovens por suicídio com relação ao malfadado jogo. Embora seja inconcebível para aqueles que têm um mínimo de bom senso e atividade cerebral, já pipocam nos portais de notícias e jornais que jovens brasileiros vêm aderindo a este emocionante jogo. 

No entanto, a devida análise desse fenômeno não pode ser feita de forma isolada, mas sim dentro do contexto histórico e, por que não, jurídico ao qual estamos sujeitos na atualidade. A discussão atual sobre o direito à vida e à não vida é crescente: defensores da eutanásia e do suicídio assistido, por exemplo, sustentam que ao indivíduo cabe, única e exclusivamente, decidir se quer encarar uma doença degenerativa que aos poucos vai tolher sua vida. Já correntes contrárias defendem que o doente em estado terminal ou portador de uma doença que lhe inflija dor excessiva não tem condições de se autodeterminar, podendo decidir pelo  fim  de  sua  vida  contaminado  por  estar  em  um  estado  de profunda depressão, além, é lógico, daqueles que baseiam seu posicionamento em valores religiosos.Tal debate é necessário, e invariavelmente ambos os lados terão que se basear nos princípios jurídicos que são o arrimo de nossa sociedade. A dignidade da pessoa humana é, sim, fundamento válido para que alguém que deseje pôr um fim a uma vida de dor e sofrimento, ao passo que o direito à vida o é para a família desse mesmo alguém, que quer proporcionar a ele todo o tratamento possível para que prolongue sua estadia entre eles.

Em meio a essa válida e importante discussão, o jogo que mencionei no início do texto demonstra a futilidade e estupidez de parte da atual geração, que não valoriza nem mesmo o mais caro dos bens que nos é dado, nossa vida, a qual é primícia em qualquer cultura, religião ou sociedade nos quatro cantos do globo terrestre. A constatação de que jovens saudáveis se mutilam ou dão cabo de sua existência por conta de um mero jogo, enquanto acompanhamos pessoas lutando uma guerra sem fim e sem perspectiva de vitória contra a própria morte, é ver a vitória do absurdo e a total desvalorização do ser humano em si, e por ele mesmo.

 

Notícias Relacionadas