Interligação passa por audiência

Três cidades já debateram em audiência pública a interligação entre os reservatórios do Jaguari e Atibainha. Inúmeras questões foram apontadas, a maioria sem respostas. Após a próxima audiência, na segunda-feira, em São José dos Campos, o Conselho Estadual de Meio Ambiente opinará pela emissão da Licença Prévia para a Sabesp iniciar obra

Cidades Em 05/06/2015 10:42:08

Para Marcelo Manara e Germano Seara Filho, ambos do Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente) foi mais uma das muitas audiências públicas que eles participaram e participarão ao longo desse ano. Para Fernanda Sobral é uma etapa da longa jornada determinada pela legislação antes da CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) de onde ela é funcionária, emitir o alvará prévio, a primeira das três licenças que a Sabesp terá de conseguir antes de ligar as bombas que transportarão a água da Represa do Jaguari para a Represa do Atibainha, em Nazaré Paulista.


Para a maioria dos presentes nas três audiências públicas já realizadas(Nazaré;Santa Isabel e Igaratá) um coquetel de informações excessivamente técnicas, de pouco entendimento ao público em geral, entediantes e embaladas em um sedutorpacote de impostos incidentes sobre a cifra de 830 milhões de reais, que custará a obra de interligação.


Para os mais técnicos como o agrônomo Juarez Vasconcelos a oportunidade de apresentar questionamentos que, em sua opinião, não foram compilados nos seis volumes (de vários tomos) que compõem o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA RIMA). Juarez apresentou 34 questões e os fez por escrito, para que sejam debatidos na última etapa do processo de licenciamento prévio, quando o próprio Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cosema) analisará os resultados das quatro audiências públicas, a próxima e última em São José dos Campos, na segunda-feira dia 8, às 17h, no auditório da UNIVAP (Praça Candido Dias Castejon, 116).


Tanto em Santa Isabel como em Igaratá cerca de 80 pessoas assinaram a lista de presença. Entre os nomes o dos prefeitos municipais, secretários, vereadores, personalidades do mundo político e ambientalista. Alguns muito conscientes da natureza do encontro outros nem tanto. Em Igaratá, um pequeno cão estarreceu os presentes. Silencioso, atento no meio do público, só desprendia a atenção quando se dedicava a se coçar espalhando eventuais pulgas no espaço reservado ao público. Parecia mesmo preocupado com o destino da represa ou se, teria mais tempo após a reunião para desfrutar do calor da sala na noite fria de terça-feira passada.


Nas palestras que ilustravam a primeira parte da audiência o representante da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) engenheiro Silvio Paiva se esforçou para demonstrar o esgotamento do Sistema Cantareira para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo, uma ameaça a 37 milhões de pessoas. Destacou que o Reservatório do Jaguari representa um volume de água 4,4 vezes à reserva de todas as represas do Sistema Cantareira e, o que é mais importante, a única opção possível para socorrer dentrodo restrito prazo de obra de 18 meses.


Depois dele falou, em um português castelhanizado, o físico Guilherme de Oliveira representante da Prime Engenharia autora de um dos estudos que deu suporte à opção de utilizar a água do Jaguari no Sistema Cantareira. Na sequência o também engenheiro da Sabesp, Silvio Leifert, mostrou a planta e o planejamento da obra que, se for aprovada, será instalada em 73.623,60m² na região do Bairro Jaguari (Funil), em Santa Isabel, e mais 5.026,33m² no Bairro Boa Vista, zona rural de Igaratá. Abrindo uma faixa de 14 metros de largura até chegar a um túnel de 6,13km de extensão perfurado para chegar no Ribeirão Acima, já em Nazaré Paulista, onde uma terceira faixa de 3.527,29m² já está desapropriada. Serão 13,43km de obras enterrando uma adutora de 2.200mm de diâmetro capaz de transportar cerca de 8.5m3/segundo (na vazão máxima) entre os dois reservatórios.


Houve manifestações contra, saudadas pelo ambientalista Marcelo Manara como legítimas observações de quem se preocupa com o futuro, e houve quem se pronunciasse a favor em nome da solidariedade para com o povo paulistano. Houve especialmente perguntas sem respostas, questões esvaziadas com a simples observação de que o relatório contempla todas as preocupações e reivindicações de compensações sob a forma de obras, recursos financeiros, empregos e oportunidades. Famílias atingidas em suas propriedades também tiveram a oportunidade de se manifestar e, em alguns casos, tiveram respostas ali mesmo com a garantia de alterações nos traçados da estrada vicinal que margeia a adutora.