Incertezas

por Roberto Drumond

Crônicas Em 23/11/2018 22:47:14

Alguns amigos chamaram a minha atenção com relação ao editorial da semana passada. Afirmaram que entrei no coro de condenação da prefeita Fábia Porto sem dar-lhe chances de defesa. Acho que fui mal entendido: simplesmente afirmei que, mesmo que ela consiga se desvencilhar das conseqüências jurídicas, sua carreira política dificilmente sobreviverá, encerrando uma história familiar de bons serviços prestados ao município.

Ela própria, em sua passagem pela secretaria da educação durante a administração do Prefeito Buscarioli deixou marcas positivas. Nessa gestão, alguns bairros foram beneficiados com suas determinações o que, de certa forma, autentica a presença de populares defendendo o seu governo.

Contudo o posicionamento do Ministério Público essa semana  não deixa dúvidas da gravidade das denúncias formuladas pela Comissão Parlamentar de Inquérito que apresentou oficialmente o seu relatório na quarta-feira passada.

O direito estabelece que todos são inocentes até prova em contrário e essa presunção deve ser aplicada na história da Prefeita Fábia que terá oportunidade agora, de fato, de comprovar o seu não envolvimento nos crimes denunciados. Se a liminar acatada pela Juíza Dra. Cláudia Vilibor Breda, da 2ª Vara, for mantida pelas instancias superiores teremos 180 dias de expectativas sobre um processo que, a semelhança do que ocorre na “Lava Jato”, deverá ter desdobramentos atingindo outras figuras do cenário político isabelense.

A gestão do vice prefeito, Dr. Carlos Chinchila, começa num período extremamente difícil. Ele assume uma prefeitura sem recursos, com muitos cargos de confiança, algumas realizações e muitos compromissos e sob o risco de ver ainda outros afastamentos determinados pela Justiça, provocando um novo desenho tanto no executivo quanto no legislativo.

É difícil de imaginar que os denunciados nesse relatório quando confrontados com a verdade dos fatos não recorram ao instituto da delação premiada, mecanismo através dos qual está se promovendo uma verdadeira faxina nos quadros políticos do país. Já existem sinais de que, muito em breve, novas informações vão despontar lançando luzes sobre a penumbra que historicamente permeia o ambiente político regional.

Não condenei a Prefeita Fábia na semana passada, como não a condeno agora. Não faço parte dos linchadores da moral de ninguém e contento-me em exercer o meu papel com a consciência tranqüila e o meu direito de opinar, mesmo que minha opinião seja discordante de outros.

Creio que todos os envolvidos devem ter o direito à defesa e que, os procedimentos para a correta avaliação do eventual crime sejam feitos de modo legítimo e legal. E que prossigam as investigações!