Incertezas 2

por Roberto Drumond

Crônicas Em 30/11/2018 22:05:24

O retorno da prefeita Fábia, a seu gabinete na manhã de quinta-feira passada, não deu fim às incertezas a que foi lançada a administração de Santa Isabel. Pelo contrário: tornou mais longa a agonia do cidadão que não sabe agora em quem acreditar.

Da decisão do Tribunal de Justiça devolvendo à Fábia o cargo para qual ela foi eleita, restam os fatos que provocaram o seu afastamento. A Justiça, em que pese a sua beleza, é complexa demais para o cidadão comum que nem sempre entende como podem os desembargadores, colocados à distância em salas de ar condicionado, contrariar uma decisão de Juiz de primeira instância enfurnada no cenário onde os fatos se sucedem, diante de evidências que saltam aos olhos à análise mais primária. 

O andamento do processo iniciado pela Promotoria de Santa Isabel vai avançar pelos próximos meses impulsionado ou não pelo posicionamento dos vereadores e pelo envolvimento dos procuradores do Estado. Na próxima terça-feira, dia quatro de dezembro, a Câmara deve votar o relatório elaborado pela Comissão Parlamentar de Inquérito. À margem desse relatório já se tem outro, feito pelo vereador Paulo Berto em que contesta a decisão dos demais vereadores, mas que chega à mesma conclusão: deve-se formar uma comissão processante, não para cassar a Prefeita, como pretendem os que assinaram o primeiro relatório, mas para dar a ela a oportunidade de se explicar perante o legislativo.

Os vereadores poderão decidir pelo arquivamento do processo aberto na Câmara ou o seu seguimento com a formação da Comissão processante, mas em nada vão interferir nos acontecimentos na Justiça.  O confronto entre os procuradores e a defesa vai prosseguir e dentro de alguns meses (ou anos) chegar a uma conclusão que poderá reintegrar a Prefeita à sua boa história política ou afastá-la em definitivo da vida pública. 

Enquanto isso, a administração municipal deverá seguir o seu rumo em busca de soluções aos problemas despertados pela crise e pelo histórico de omissões de sucessivos prefeitos que, para se manter na simpatia popular, deixaram de utilizar os recursos capazes de aumentar a arrecadação municipal, fonte de todos os problemas enfrentados pela cidade: a falta de dinheiro, afinal em casa onde falta pão, ninguém tem razão.

Louve-se aqui a intervenção do vice-prefeito ao apresentar os números de uma dívida histórica. Que esse gesto sirva de exemplo para quem for conduzir os destinos da cidade estimulando o enfrentamento da atualização cadastral, da planta genérica e o correto dimensionamento das necessidades municipais. Sem atitudes, jamais Santa Isabel sairá do marasmo em que se meteu através do populismo.

Sugiro a leitura atenta da reportagem da página três e a entrevista da página 7.