H1N1 deixa Santa Isabel em alerta

Suspeitas envolvendo notas de falecimento levam Secretaria Municipal de Saúde e Governo do Estado a adiantar a campanha de vacinação contra Influenza A (H1N1) em Santa Isabel

Saúde Segurança Pública Em 01/04/2016 20:51:49

Reportagem: Bruno Martins

 

Duas pessoas morreram em Santa Isabel, um homem de 38 anos e uma mulher de 81, vítimas de uma grave infecção, a secretaria de Saúde suspeita que elas tenham sido vítimas da Influenza A (H1N1). Outros quatro casos suspeitos estão em análise. Diante do quadro de avanço da doença no Estado, Governo de São Paulo antecipará vacinação para o próximo dia 11 de abril.

Os casos suspeitos de H1N1 em Santa Isabel foramregistrados durante o mês de março como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que podem estar relacionados ao vírus Influenza A (H1N1) ou outros vírus semelhantes.A Secretaria de Saúde aguarda o retorno dos exames enviados ao Instituto Adolfo Lutz que, devido à alta demanda do Estado, vem atrasando a entrega dos resultados.

O diretor clínico da Santa Casa, Dr. Orlando Tavares Pinheiro diz que geralmente, em cinco dias, recebia a resposta do laboratório e diagnosticava o paciente. “Hoje a espera pode levar entre 15 a 30 dias, por isso, para garantir a recuperação dos pacientes iniciamos o tratamento contra H1N1 antes mesmo de receber o resultado”, revela o Médico, acrescentando: “Gestantes, idosos, diabéticos e hipertensos são nossas prioridades”.

Dr. Orlando explica que tanto o H1N1 como as outras mutações do Influenza, o H3N2 e o Influenza B apresentam os mesmos sintomas, mas o H1N1 é o mais potente de todos. “Se haverá surto ou não, dependerá muito dos cuidados adotados pela população e de seu estado de imunidade”, diz   

Até agora, aparentemente, os casos suspeitos atendidos na Santa Casa de Santa Isabel não possuem nenhuma correlação entre eles. Dr. Orlando conta que as vítimas são de casas e/ou regiões diferentes.

A diretora de Higiene e Prevenção a Saúde, Estela Barbosa Santana diz que não há necessidade de pânico: “Estamos acompanhando e tratando os casos suspeitos e a nossa rede de farmácias do SUS possui a quantidade necessária de Tamiflu, o medicamento utilizado para tratar H1N1”, destaca acrescentando: “Todas as unidades de saúde trabalham a conscientização dos meios de prevençãodesde o início do ano”.

Família denuncia omissão da Saúde 

Alexandre Silva Marta, 40, garante que sua esposa está com H1N1 mesmo sem ter o resultado do exame que confirme o diagnóstico. No último domingo, o casal buscou atendimento na UPA depois que um de seus parentes foi diagnosticado com Influenza A. “Ela apresentava os mesmos sintomas: fortes dores de cabeça e muscular. Contei as minhas suspeitas e me mandaram procurar a Santa Casa, mas lá também não obtivemos nenhuma prescrição médica. Voltamos para a UPA, onde dois médicos que a examinaram afirmaram que ela tinha apenas uma virose”, descreve.

Na terça-feira, 29, Alexandre levou a esposa a um hospital particular em Arujá. “Lá a médica que fez o atendimento prescreveu o Tamiflu. Recorri ao SUS, mas não consegui o remédio de imediato na UBS I (Brotas) porque a receita que eu tinha era de hospital particular. Mas é um absurdo!”, reclama. 

Segundo Alexandre, ele conseguiu o medicamento depois que ligou no Centro de Vigilância Epidemiológica de Mogi das Cruzes que, supostamente, obrigou a funcionária da farmácia do posto a imediatamente entregar a medicação.

“Talvez a Secretaria não queira criar um alarde, mas este atendimento não pode se repetir. Eu recorri a rede particular em Arujá, mas como ficam aqueles que dependem apenas dos serviços públicos?”, questiona. 

Estela diz que investigará o caso do atendimento dado a esposa de Alexandre para tomar as medidas necessárias. “A coleta do exame de H1N1 é feita somente na Santa Casa,onde há equipamentos específicos que a UPA não tem. Sobre a medicação, ela jamais deve ser negada a um paciente independentemente de onde ele tenha buscado atendimento”, explica. 

 

H1N1 em São Paulo

Nos três primeiros meses de 2016, em todo o estado, foram confirmados 260 casos de H1N1 com 38 óbitos. No mesmo período, a Capital registrou 64 casos de SRAG, somando 324 pessoas adoentadas. Em nota a secretaria de Saúde do Estado destaca que, comparativamente ao ano passado, não houve aumento dos casos de H1N1 e ainda não foi declarado surto em nenhum município. - “Intensificamoso monitoramento da doença”, destaca.

Estima-se que 3,5 milhões de pessoas entre crianças maiores de seis meses e menores de cinco anos, gestantes, idosos e profissionais da Saúde de unidades públicas e privadas serão contemplados com a vacinação.