Greve afeta drasticamente importantes serviços públicos

Caminhoneiros emplacam uma semana na paralisação contra o aumento do Diesel. Greve não tem data para acabar e cidades da região registram prejuízos incontáveis.

Cidades Em 25/05/2018 21:39:48

por Gabriel Dias, Bruno Martins e Érica Alcântara

A greve dos caminhoneiros já emplacada o 6º dia de paralisação no Brasil, não muito diferente do que é visto a nível nacional, Arujá, Igaratá e Santa Isabel sofrem com o impacto da greve dos motoristas. Saiba como foi a primeira semana de greve dos caminhoneiros na região, como ela afetou importantes serviços e o que muda na rotina das cidades. 

Acabou o combustível 

Após enormes filas de carros para garantir abastecimento, em Arujá, Igaratá e Santa Isabel o combustível acabou em todos os postos, sobra apenas diesel na maioria deles.

Frotas reduzidas no Transporte Público    

De acordo com as empresas de transporte público, Viação Arujá e Radial, a frota de ônibus em algumas linhas precisou ser reduzida, como o caso das linhas municipais e intermunicipais da Viação Arujá, que operam no ritmo de sábado.

A Radial, que faz as linhas 277 e 141 saindo de Santa Isabel, passando por Itaquaquecetuba, Suzano, Poá até chegar em Mogi das Cruzes, são as únicas que operam, segundo a empresa, normalmente. A Viação Jacareí responsável pelas linhas 411 Santa Isabel – Mogi Dutra e 820 Santa Isabel – Jacareí passou a operar desde quinta-feira com itinerário praticado aos sábados. 

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – EMTU/SP informou ontem, 25/05, que a frota de ônibus está reduzida por causa da greve dos caminhoneiros. Na Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista e do Vale do Paraíba/Litoral Norte as concessionárias e permissionárias operam respectivamente com 85%, 60% e 70% da frota. Juntas, estas linhas transportam diariamente mais de dois milhões de passageiros. 

A EMTU/SP acompanha a situação nas garagens e orientou as empresas operadoras a priorizar a operação nos horários de pico e nas linhas onde há maior número de passageiros transportados.

As empresas Transdutra e Pássaro Marrom, responsáveis pelas linhas intermunicipais de Arujá e de Santa Isabel para as cidades de São Paulo e Guarulhos, não responderam aos questionamentos da reportagem.

A greve afeta a economia da indústria  

De acordo com Dario Arantes, presidente regional do CIESP - Centro de Indústrias do Estado de São Paulo, algumas empresas precisaram diminuir a produção por falta de matéria-prima. “Estamos conversando com empresários da região. A situação está crítica. Empresas estão com dificuldades para dar continuidade à produção, funcionários também carecem de transporte público para chegar ao trabalho”, lamenta.

Dario Arantes diz que os diretores do Centro de Indústrias se reúnem para debater possíveis estratégias para conter os prejuízos, mas como a greve não tem data para acabar, isso prejudica os trabalhos da CIESP na região.

Segundo representantes da ACE - Associação Comercial e Empresarial de Arujá, a paralisação ainda não instaurou um caos na cidade, no entanto, a diretoria do grupo acompanha a greve de perto caso o cenário se agrave ainda mais.

A Associação Comercial de Santa Isabel - ACISI pede calma a sociedade. “Santa Isabel é uma cidade que tem muitos caminhoneiros e sua logística é grande, isso afeta sim a cidade. Apoiamos a greve desde que seja de forma ordeira e sem violência”, fala o presidente Roberto Drummond.

Segurança Pública não será afetada

O medo de que as viaturas ficassem sem combustível tirou o sossego da população. Contudo, o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, garante que o Estado continuará seus serviços de policiamento normalmente na capital e nas demais cidades do interior.

Greve dos caminhoneiros traz reflexos aos serviços da Saúde 

 

Com combustível reduzido a secretaria de Saúde de Santa Isabel informou que suspendeu por tempo indeterminado os seus serviços de transporte ambulatorial na cidade. O transporte para consultas médicas e outros procedimentos de menor complexidade deverão ser retomados apenas quando a greve cessar e os postos passarem a receber combustíveis na cidade. 

O secretário da Pasta, Cleber Vinicius, explica que pacientes oncológicos e de hemodiálise serão priorizados, mas só pode garantir o transporte a estes pacientes até durar o estoque de combustível dos carros da saúde: “Nossos veículos estão com os tanques cheios. O transporte será ofertado até que acabe em todos”, disse.

Os demais setores da secretaria como vigilância sanitária e zoonoses atenderão, por enquanto, em caráter emergencial e utilizarão os carros apenas em casos de extrema urgência: “Os serviços deverão ser normalizados após o fim da manifestação de caminhoneiros e consequentemente com o envio de combustíveis aos postos de gasolina da cidade”, finalizou Cleber.

Situação em Igaratá

Em nota oficial, Igaratá informou aos seus moradores que suspenderá todos os seus serviços que demandem utilização de diesel, gasolina e etanol, mas garantiu que os cortes não atingirão serviços essenciais como os da Saúde devendo ser priorizados apenas, os casos considerados de urgência e emergência. 

Igaratá informa que o estoque de medicamento está em um nível aceitável. Porém os fornecedores já informaram que todas as transportadoras estão paradas e que nenhum dos pedidos será entregue até que se finalize a greve. “A preocupação é grande, pois todos os municípios da região estão sofrendo o desabastecimento de medicamentos e nenhum poderá ser solidário com o outro, pois também não terá medicamento para empréstimo”, diz a assessoria de imprensa da Prefeitura.

A Prefeitura de Igaratá considera suficiente o atual estoque de medicamentos para algumas semanas, mas como não há informação de quanto tempo mais a greve vai durar, trata o atual estoque como insuficiente e as medidas de urgência estão sendo seguidas.

Arujá garantiu que até a tarde desta sexta-feira, 25/05, que não houve prejuízos aos serviços prestados pela Secretaria Municipal de Saúde, incluindo o transporte ambulatorial.

Ainda há oxigênio

Diversos hospitais no Brasil alertaram sobre a escassez de oxigênio no atendimento de pacientes. A direção da Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabel e do Hospital Maternidade de Arujá esclarecem que estas unidades de atendimento à saúde pública ainda possuem oxigênio para os pacientes, com reserva suficiente.

Os Impactos na Educação

Em Santa Isabel a secretaria de Educação informa que, se a greve continuar, a partir de segunda-feira (28/05) o transporte escolar será temporariamente suspenso e a merenda escolar readequada, mas as aulas serão mantidas.

Em Igaratá a secretaria de Educação afirma que as aulas não foram interrompidas, mas o transporte escolar já foi afetado pela falta de combustível. “A princípio, não há pretensão de interromper o cronograma do ano letivo, mas se a greve persistir seremos forçados a suspender as aulas quando o estoque de merenda o atingir nível crítico, o que não será por agora, uma vez que há reserva de alimentos suficiente para os próximos dias”, esclarece.

Em Arujá a secretaria de Educação informa que a escassez de combustível provocou a suspensão de aula nas escolas municipais Isabela Pavani Castilho Cruz, no Copaco; Bairro da Penhinha; Abílio Pinheiro André, no bairro da Pedreira; e na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) afetando 400 alunos. 

O serviço de transporte escolar de Arujá também está suspenso. Mas escolas como a Zilda Arns Neumman mantêm as aulas normalmente. A merenda será readequada devido a incapacidade de entrega de gás de cozinha e produtos de hortifrúti.

Atenção para a Coleta de Lixo

Em Santa Isabel a coleta de lixo está programada para seguir o atendimento normal até hoje, sábado 26/05, mas na segunda-feira só há combustível suficiente apara cobrir áreas estratégicas até as 12h. 

Em Arujá a Secretaria de Serviços informa que a paralisação não atingirá o itinerário rotineiro e diário da coleta de lixo.

Em Igaratá a Prefeitura informa que a greve dos caminhoneiros não afetou o itinerário da coleta de lixo que segue o itinerário normalmente. 

No facebook do jornal Ouvidor há uma série de entrevistas com manifestantes e com a população, que solidária aos motoristas enfrenta os impactos gerados por esta greve histórica dos caminhoneiros.