Grande Perda

por Roberto Drumond

Crônicas Em 15/02/2019 22:24:08

Essa semana a imprensa brasileira sofreu uma grande perda. Ricardo Boechat morreu em um acidente de helicóptero quando retornava de Campinas para São Paulo. Sua morte provocou uma consternação geral unindo pessoas mais simples até grandes expressões da vida política, econômica e social do país.

De fato, ele foi um profissional que soube construir uma carreira repleta de vitórias e manteve, até ser ceifado aos 66 anos, características que fizeram dele um ícone e um exemplo para todos os profissionais que militam na imprensa. As manifestações dimensionam e confirmam a necessidade que o brasileiro tem de ouvir a voz de quem tenha a ousadia de dizer a verdade. Boechat tinha e a empresa a quem ele emprestava o seu trabalho e vigor respeitava a sua forma de expressar suas opiniões.

Agindo como um dedicado ouvidor da população, Boechat abria seus contatos e fazia questão de, pessoalmente, conversar com todos que a ele recorriam transformando as necessidades de alguns em pautas de muitos, transformando através da informação a realidade em muitos lugares do país. Era um incansável cobrador dos compromissos das autoridades. Mirou, nas últimas semanas de sua vida no senador Flávio Bolsonaro, filho do Presidente, a quem cobrava explicações sobre o dinheiro encontrado em sua conta e na conta de seu assessor, o Fabrício Queiroz.

De seu leito no Hospital Albert Einstein, o Presidente da República se manifestou, mas o Queiroz que no final do ano passado lá também estava internado, simplesmente desapareceu do noticiário essa semana ocupado com tantas perdas. Queiroz desapareceu na lama de Brumadinho, no incêndio que matou os jovens do Flamengo, na queda do helicóptero de Boechat, no incêndio atingiu a usina de Belo Monte, no PAe mais recentemente na morte da atriz Bibi Ferreira.

Personalidades como Boechat precisam viver mais e vivem porque se eternizam no trabalho que desenvolveram ao longo de sua existência. São eles que, como o grilo falante na história de Pinóquio, fazem o papel da consciência questionando os fatos visando esclarecer e dispersar as suspeitas. Suspeitas que, como no dito popular,surge como fumaça sinalizando a existência de fogo.

O papel da imprensa precisa ser respeitado e só fica indignado com ele quem tem medo de ver revelado o fogacho e não há nesse Brasil um só lugar, em todos os níveis de governo, onde não haja fogueiras ardendo onde deveria existir apenas o interesse público, esse sempre defendido por Boechat.

Estamos em luto, é claro. E como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella: “Sem Boechat nossa inteligência fica mais desidratada!”