Genocídio programado

por Roberto Drumond

Crônicas Em 02/04/2021 15:36:31

Os generais quando planejam as batalhas nas guerras costumam considerar um número de baixas inevitáveis. Estimam que a vitória só é possível se errarem menos e, entre as variáveis que devem levar em conta no planejamento da batalha, está a logística.

Essa é a responsável pelo transporte e pelo atendimento de suprimentos no combate. Entre os suprimentos estão além das munições e alimentos, os medicamentos necessários para o atendimento aos feridos. Na base da logística está a capacidade de produção dos fornecedores que deve antecipar ao momento da batalha. Sem produção não há logística e nem as batalhas.

Estamos em situação de guerra e os nossos generais aparentemente se esqueceram de que nessa batalha a produção de insumos e suprimentos deve ser muito superior ao que volume consumido nos momentos de paz. Nessa guerra é, de modo especial, a produção de medicamentos, mas nossos generais não são médicos, e são esses que conhecem o inimigo que estamos combatendo.

Por serem apenas generais não houve previsão dos tipos de medicamentos que devem ser usados nessas batalhas que são disputadas nas diversas unidades de saúde, públicas e privadas, em todos os 5.570 municípios brasileiros. Por não terem antecipados o que seria necessário, nossos generais não previram o volume de vacinas e nem os demais medicamentos de suporte ao atendimento às vítimas e acabam aceitando como inevitáveis as mais de 330 mil mortes ocorridas nessa guerra que começou em março de 2020, mas que vinha se anunciando desde 2019.

A falta da atuação da logística fez com que o enfrentamento da batalha levasse a outra situação plantando o caos em todos os setores da saúde. O governo de nossos generais simplesmente requisitou toda a produção de medicamentos do país, chamando para si toda a fonte de medicamentos sem ter na prática a capacidade de distribuir o remédio. E cometeram mais um erro: usaram como base para a distribuição os mesmos parâmetros utilizados nos tempos de paz. Em resumo: não mandaram munição suficiente para os combates 

Os generais erraram feio e só lhes resta fazer cara de luto, lamentar a morte e se consolar com a ideia de que todas as guerras fazem vítimas. Não precisava ser assim, bastava deixar os médicos e a ciência trabalhar que a pandemia causaria menos mortes.