Fura filas em Santa Isabel

Uma enfermeira do Posto de Saúde da avenida Brasil é suspeita de liberar vacinas contra a covid-19 para duas empresárias de São Paulo.

Saúde Em 20/02/2021 00:28:58

Uma enfermeira do Posto de Saúde da avenida Brasil é suspeita de liberar vacinas contra a covid-19 para duas empresárias de São Paulo. Reproduções de documentos oficiais da Comissão Nacional de Saúde (CNS), dão conta que as duas mulheres, uma de 64 anos e a irmã de 62 anos teriam sido vacinadas sem sequer serem moradoras de Santa Isabel, embora na ficha do CNS conste um endereço isabelense.

Segundo os denunciantes, as duas empresárias são amigas pessoais de autoridades isabelenses e que teriam obtido as vacinas através dessa rede de influência.  Procurada pela reportagem do Jornal Ouvidor através do telefone que consta na ficha do CNS, a atendente afirmou que a pessoa procurada não poderia atender pois estava em reunião e também não soube informar se a empresária havia sido vacinada e nem mesmo se reside ou não em Santa Isabel.

A reportagem também tentou entrar em contato com a enfermeira através do telefone. Mas não houve atendimento e a secretária eletrônica registrou que a “caixa de recados” estava cheia, não podendo gravar mais nenhuma mensagem.

Ao ser procurada, a direção da Sociedade Caminho de Damasco, responsável pela administração do Posto de Saúde da avenida Brasil, preferiu se manter silente, não retornando aos questionamentos da reportagem.

Na quinta-feira, dia 18/02, o secretário de Gabinete da Prefeitura, Leonardo Freire, emitiu um comunicado interno (CI-0027) denunciando junto a secretaria de Saúde a quebra no Cronograma de Vacinação contra a Covid-19. O nome dos “fura-filas” não foi divulgado, mas a prefeitura de Santa Isabel informa que tomou as providências para apurar a veracidade dos fatos.

Desde sábado, 13/02, o Governo do Estado de São Paulo sancionou uma lei que prevê multa de até R$100 mil para a aplicação de vacinas contra o Coronavírus em pessoas que não estão entre os grupos prioritários e furem a fila da vacinação.

A Lei prevê multa para todas as partes envolvidas: o agente público responsável por aplicar a vacina, quem a recebeu e, também, a autoridade ou funcionário público facilitador da contravenção.

A reportagem continuará tentando esclarecer esse desvio de vacina, já que as pessoas apontadas como beneficiárias da imunização não fazem parte dos grupos de risco.