Fundo do poço

por Roberto Drumond

Crônicas Em 26/10/2018 23:32:09

Amanhã vamos às urnas definir quem será o nosso presidente pelos próximos indefinidos anos. Tenho dito a meus amigos: “Não se preocupem com o domingo: deixem para se preocupar com as contas que virão nos 1.460 dias seguintes, isso se tivermos novas eleições em 2022. Nosso futuro depende delas!

Se hoje achamos que estamos no fundo do poço, vamos descobrir que, qualquer que seja a surpresa da urna (se é que haverá surpresa!) o poço é ainda mais fundo e só nos restará continuar cavando para descobrir que a saída pode estar na China ou no Japão! Duas economias diferentes que podem nos servir de modelo para o que queremos ser.

Se hoje podemos escolher entre dois candidatos é porque vivemos numa democracia e nossas leis assim estabeleceram. Cumpra-se a lei. Só não podemos transformar essa eleição em um clássico de futebol onde sempre tem briga: no campo ou na torcida. Os dois atletas disputam quem aponta mais falhas do outro, acusações, ilações, fakenews, preocupações com cotas, minorias, sexualidade, direitos humanos e desumanos, mas sem mostrar interesse pelos temas que de fato podem tornar o nosso futuro mais seguro. Como a reforma política, previdenciária, tributária e etc.

A pergunta que devemos fazer hoje e amanhã é o que a presidência vai fazer com o vencedor? No manual da política o exercício do poder e a gestão da realidade acabam sempre, em qualquer lugar ou época, obrigando os eleitos a modificar comportamentos e posições.Os dois candidatos disputam uma eleição que está sendo definida sobre a negação. Um lado nega o PT outro nega Bolsonaro, uma polarização que remete a uma reflexão: Se Bolsonaro mantiver o seu perfil de inflexibilidade e firmeza, viveremos em crises. O mesmo se pode dizer de Haddad: se cumprir a metade das promessas que faz, estaremos diante de uma crise maior do que a que vivemos no período Lula/Dilma/Temer. Se modificarem suas posturas teremos um novo "estelionato eleitoral". Resta-nos torcer para que o eleito seja diferente do candidato.

Não importa quem será o eleito, a situação do país é tão deliciada e difícil que a falta de clareza, de políticas consistentes e na direção certa, pode levar a péssimos resultados como foram os anos de Dilma. E não será na base do ferro e fogo que conquistaremos um lugar melhor para viver. Infelizmente nenhum dos dois candidatos apresentou um programa de trabalho viável, que ofereça paz e tranquilidade para a população. Não sabemos se seremos a China ou o Japão. Temos apenas o Brasil.

Continuemos cavando: o tempo dirá em que país vamos chegar!