Funcionários Rejeitam Proposta de Acordo Feita pelo Sindicato

Em apenas dez meses de mandato, o prefeito de Santa Isabel Padre Gabriel Bina enfrenta a primeira manifestação de servidores públicos contrários as suas decisões

Política Cidades Em 09/11/2013 01:09:14

 Reportagem: Érica Alcântara

 

Aproximadamente 800 servidores públicos de Santa Isabel se reuniram em Assembleia Geral no salão nobre da Câmara Municipal no final da tarde da última quinta-feira. Descontentes com a proposta da administração pública e com a ação do sindicato, com gritos de “O Sindicato se vendeu”, “Fora Bina”, ou “Eta, eta o Prefeito é Picareta”os funcionários promoveram uma passeata que percorreu as principais ruas do centro. Comunicaram a população que pretendem parar a prefeitura até que a gestão do Prefeito Padre Gabriel Bina atenda as suas reivindicações. Legislativo lhes garante apoio.

Marcada para as 18h, a Assembleia foi encerrada em pouco mais de 20 minutos, “Nós apresentamos aos trabalhadores a proposta do Executivo que foi de: R$ 100 de vale refeição, sem perda da cesta básica, criação do Plano de Carreira em até seis meses e o reajuste com base na inflação somado a 1,5% de aumento, ou seja se a inflação for de 6% o reajuste será de 7,5%. Mas eles não aceitaram, então não tinha mais o que fazer”, explica Miguel Ângelo Latini, presidente do Sindismar (Sindicato dos Servidores Municipais de Arujá e Região).

O clima ficou tenso e um dos servidores passou mal e precisou ser atendido pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Somente após a multidão se acalmar e garantir que não depredaria o patrimônio público, os trabalhadores que se aglomeravam na porta da câmara puderam, mesmo sem a presença do Sindicato, retomar a reunião. 

A farmacêutica, Elia Ramos, integrante da Comissão de trabalhadores que acompanhou as negociações, garantiu que “Os trabalhadores não podem contar com o Sindicato, pois ele se vendeu. Consultei uns advogados que dizem que podemos fazer greve, pois já demos a chance de negociar, temos que manter 30% dos serviços básicos, mas a educação pode parar completamente”, garantiu Elia, aplaudida com êxtase pelos colegas que remendavam seu discurso garantindo que “não deixaremos de lutar por nossa dignidade”.

Mesmo diante da acusação de alguns servidores, Miguel diz que a entidade não deixará de lutar pelos trabalhadores e garante que enviou ontem, dia 08, um ofício à prefeitura comunicando a decisão da Assembleia de rejeitar a oferta do Executivo: “A data base dos funcionários públicos de Santa Isabel é janeiro, então o Prefeito tem este prazo para enviar outras propostas que se aproximem mais do que querem os servidores, não podemos obrigar a administração a ultrapassar os gastos com a folha de pagamento ou iniciar uma greve antes de finalizada as negociações”, esclarece Latini.

Contudo, atendendo às reivindicações dos trabalhadores, o legislativo fez o que pode fazer para pressionar o Prefeito Padre Gabriel, prometendo aos servidores que os escolherão um dos projetos do executivo para trancar a pauta de votação “até que o Prefeito retome as negociações e atenda parte das reivindicações”, afirmou o presidente Luizão Arquiteto apoiado pelo secretário Administrativo Dr. Benedito Frúgoli.

O presidente do Sindismar informa que tomará as medidas legais cabíveis contra o que ele chama de “grupo de má índole”. Para ele “a greve é o último recurso, as negociações não acabaram e qualquer paralização ou ação indevida pode prejudicar os trabalhadores que acreditarem nesta conversa. Não é verdade que o servidor público não pode ser demitido, se a administração provar que os trabalhadores paralisaram sem o apoio do sindicato, sem os trâmites legais, pode até demiti-los”, diz Miguel acrescentando: “eu temo que este grupo prejudique os trabalhadores que nós, do sindicato, defendemos”, finaliza.

Os trabalhadores, por sua vez, lamentam que a insatisfação com a administração tenha se tornado uma decepção com o Sindicato, “Como eles querem nos defender se comparecem em uma Assembleia cercados de quatro seguranças armados para amedrontar os servidores?”, questiona o funcionário mais conhecido como Deco, também integrante da comissão, destacando: “o estresse acabou quando o Sindicato foi embora. Nossa manifestação foi democrática e tranquila”.

De acordo com Deco, a comissão dará ao Sindicato uma semana para mobilizar o Executivo.“Caso contrário, gradativamente haverá uma desfiliação em massa”. Deco salienta que a Comissão é maleável, “Tanto que explicou ao Prefeito que os trabalhadores aceitariam R$200 de vale refeição, mais 10% de reajuste imediato. Também queremos um governo maleável e não prepotente como este está”, explica.

Quando saíram da câmara em passeata pelo centro, os trabalhadores contaram com o apoio da Polícia Militar que garantiu com competência e agilidade o direito do povo se manifestar pacificamente.

Já porta da Prefeitura, uma jovem de aproximadamente 14 anos, que filmava a chegada da manifestação, expressou em voz alta o que parte do público que assistiu a passeata dizia pelas ruas: “Isso é uma vergonha”. Questionada se estavam errados os servidores ou o Prefeito a jovem explicou: “Eu leio jornais, o Prefeito não tem o direito de fazer o que faz com o povo que trabalha”.

Veja nas próximas reportagens a manifestação da prefeitura sobre a revolta do funcionalismo público.

 

Crise na gestão pública: Funcionários Rejeitam Proposta de Acordo Feita pelo Sindicato