Funcionários da PEM queixam da falta de pagamento

Sem o vale alimentação colaboradores da PEM dizem que estão contando com doações de familiares e amigos para conseguir ter o que comer. Quem já saiu alega que empresa tem burlado e que não está pagando os direitos trabalhistas

Trânsito Política Cidades Em 07/09/2018 21:18:05

Reportagem: Bruno Martins

Funcionários da PEM dizem que sem ter o que comer em casa, com risco de corte de energia e água e até ameaça de despejo por não conseguir pagar os alugueis somandos à falta de pagamento salarial em dia e de benefícios como vale alimentação tem trazido sérias conseqüências. Segundo contam, o alimento só não faltou ainda na mesa de muitos deles, graças à boa ação de amigos e familiares. Enquanto isso na Empresa, as condições precárias de trabalho só indicam que os problemas parecem não ter fim. 

Ex funcionários afirmam que o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aparentemente não tem sido depositado desde 2015, e que o vale alimentação atrasa todos os meses tornando as condições completamente precárias de trabalho.

O drama para quem trabalha

Há menos de um mês importantes setores da Empresa, como as das vans escolares e os motoristas das linhas municipais, paralisaram suas atividades em protesto pelos atrasos nos pagamentos.

Os profissionais denunciam ainda as condições completamente perigosas e insalubres de trabalho do qual estão expostos todos os dias: “Chegamos ao Terminal Rodoviário todos os dias às 5h da manhã e só trazem as coisas para o nosso café às 8h. São três horas de jejum forçado. Nossa área de alimentação é completamente suja e, no mesmo cômodo onde comemos, dividimos espaço com galões de gasolina e óleo diesel. Para conseguir ferver a água do café somos obrigados a utilizar uma resistência de chuveiro, pois no local não tem gás de cozinha nem fogão”, lamentam.

O dirigente da empresa, Jorge Duarte Ramalho Torres reconhece que a mudança de local da garagem para o Km 55, causou muitos transtornos especialmente para os colaboradores que estavam acostumados a tomar o café na garagem antes de seguir para o terminal rodoviário, mas assegura que já determinou que uma van faça a entrega dos produtos mais cedo e lembra que, o desjejum oferecido é uma concessão da empresa, já que na convenção de trabalho não consta nenhuma obrigação nesse sentido.

Segundo os funcionários, os dirigentes da PEM insistem em alegar que só não conseguem pagar todos em dia, pois a Prefeitura não tem feito o repasse do contrato a empresa, fato que já foi desmentido pela própria Prefeitura que garante, através de documentos, que mensalmente tem pago o valor total do contrato a PEM, cerca de aproximadamente R$900 mil. Jorge explica que de fato houve atraso em agosto porque no mês anterior, por ser período de férias, a empresa não recebe o recurso referente ao transporte escolar: “o transporte coletivo em Santa Isabel é deficitário, precisamos do transporte escolar para sobreviver, e mesmo assim pagamos tudo em dia. Só no dia 20 desse mês é que não tivemos recursos para quitar o vale antecipado, mas pagamos essa semana.

O drama para quem já saiu

Uma ex-funcionária, que prefere não se identificar, e que já saiu da empresa em março deste ano, só descobriu que seu FGTS não estava sendo recolhido desde 2015, após dar entrada no seguro desemprego: “Contava com o dinheiro para pagar algumas dívidas e quando você vai atrás do que é seu por direito acaba recebendo essa surpresa desagradável. O pior é que eu não fui e nem sou a única, pois a empresa não tem recolhido o fundo de garantia de nenhum de seus colaboradores”, lamenta. Após seis meses de desligamento da empresa o fundo de garantia da colaboradora só foi depositado na tarde de quarta-feira, 05/09.

Jorge admite que pode haver alguns casos de atraso nesses pagamentos, mas garante que serão colocados em dia assim que tiver recursos para isso: “- Nossa prioridade é salários e diesel, o resto a gente se arranja” garante.