Fiéis realizam cultos pelo fim da Covid-19

Entidades religiosas devem se atentar ao volume de som nos cultos realizados nas portas das unidades de saúde

Cidades Em 02/04/2021 15:38:59

Por Bruno Martins

O mês de março foi o mais mortal desde o início da pandemia em toda a região. Só em Santa Isabel foram 51 óbitos registrados neste período. Na luta contra o vírus que dilacera famílias inteiras, as pessoas buscam uma forma de expressar sua solidariedade pela dor do outro. Com isso, religiões diferentes se encontram virtualmente e nas portas das unidades de saúde para, através da fé, pedir a Deus que cesse as dores causadas pela Covid-19. 

“Estamos aqui por amor ao próximo, afinal é isso que Deus quer de nós”, quem fala é um dos fiéis que em março, esteve em um dos cultos realizados na porta da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Isabel. Só no último mês, pelo menos cinco igrejas realizaram cultos no pátio da unidade. 

Na quinta-feira passada, em Arujá, representantes de diferentes vertentes religiosas fizeram um ato ecumênico em frente às unidades do PA Central e PAM Barreto, para levar força e reconhecimento às pessoas que trabalham na unidade, e transmitir uma palavra de fé para aqueles que passam pelo tratamento.

O ato representou a união em um momento tão difícil, deixando de lado as diferenças de crença e divergências políticas, priorizando sempre a vida e a esperança pela cura e o fim da pandemia.

“Nós representamos milhares de fiéis que estão em suas casas orando conosco pelo fim da pandemia. Não precisamos de aglomeração neste momento”, ressaltou um dos líderes religiosos. 

CUIDADO COM O SOM

Para o diretor clínico da UPA de Santa Isabel, Dr. Luís Silva, toda a manifestação de fé é bem-vinda neste momento de luto e dor: “Mas as igrejas devem se atentar ao volume e se possível evitar o uso de aparelhos de som para não atrapalhar no repouso dos nossos pacientes e, principalmente, evitar as aglomerações nas portas de entrada das unidades”, disse.

O Art. 42 do Decreto-Lei Nº 3.688/41, estabelece que perturbar o sossego alheio (mediante gritaria, algazarra, abuso de instrumentos musicais, sinais acústicos, dentre outras situações) é crime. E pode ser passível de prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa.