Feliz Ano Novo

por Roberto Drumond

Crônicas Em 21/12/2017 22:41:13

O Papa Francisco recebeu na última quinta-feira uma mensagem de Natal do Patriarca Ecumênico de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), Bartolomeu I, lembrando os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que vão ser comemorados em 2018.

No texto, publicado pelo serviço informativo da Santa Sé, Bartolomeu I salienta que a data assinala a vontade da humanidade, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, de iniciar uma era nova de paz duradoura e fraternidade.

No entanto, 70 anos passados, esses ideais continuam por cumprir, num mundo que prossegue marcado pela mesma “experiência trágica da violência e degradação da pessoa humana” que caracterizou o século passado.

“Continuamos a não aprender com a História ou a não querer aprender. E mais uma vez, as palavras ‘Jesus nasceu’ ressoam num mundo cheio de violência, de conflitos perigosos, de desigualdades sociais e de desprezo pelos direitos humanos fundamentais”, frisa Bartolomeu I.

O Líder Ortodoxo mostra também a sua preocupação por um contexto social que continua a admitir a “exaltação do poder” e da “exploração” sobre as pessoas, a grande disparidade entre ricos e pobres.

Nem “o domínio da tecnologia, as conquistas extraordinárias da ciência e o progresso econômico geraram a desejada justiça social e paz, “pelo contrário”, este fosso social “aumentou” e “está a destruir as condições de coesão social e a harmonia”.

- A Igreja não pode ignorar estas ameaças. Não há nada de mais sagrado do que o ser humano, ao qual o próprio Deus partilha a natureza. Lutamos pela dignidade humana, pela proteção da liberdade e da justiça humana, sabendo que a paz verdadeira vem de Deus”, afirma o Patriarca.

Na mesma linha, Bartolomeu I refere-se à “explosão do fundamentalismo e os terríveis atos de violência que são cometidos em nome da religião,  e que fornecem argumentos contra a fé e sustentam a identificação da religião com os seus aspetos negativos.

 - A verdade é que a violência é a negação dos credos e das doutrinas religiosas fundamentalistas frisa o Patriarca Ecumênico, que desafia à “mobilização” de todos os credos na busca de um mundo diferente: “Precisamos de esforços comuns, objetivos comuns e um espírito comum. A crise atual é uma oportunidade para praticar a solidariedade, o diálogo, a cooperação, a abertura e a confiança. Só juntos poderemos enfrentar os atuais desafios. Ninguém, nação, Estado, religião e ciência pode enfrentar sozinho os seus problemas”.

A manifestação do Patriarca foca na ampla visão do mundo, conturbado por decisões de Estado que ampliam os conflitos, mas cabem no universo brasileiro onde a indiferença dos líderes políticos em relação ao futuro nos leva a temer o dia de amanhã e, diante do qual a esperança é apenas uma frase : “Feliz Ano Novo!”.